Guitarrista do Tutti Frutti e dono do solo de “Ovelha Negra” deixa um legado que atravessa gerações do rock nacional
A figura do Guitar Hero (aqueles gênios da guitarra que criaram solos e melodias que estão grudados nos nossos tímpanos) habita o universo do rock. Você, que lê estas linhas, já parou para pensar em quantas vezes fez um air guitar do seu solo favorito, imaginando ser um guitarrista tocando para uma multidão em êxtase? Certamente foram várias. E isso se deve aos grandes gênios da guitarra que admiramos.
No Brasil, para mim, a personificação do Guitar Hero acaba de nos deixar: faleceu ontem, dia 7 de maio, Luiz Carlini.
Muitos vão lembrar dele pelos discos do Tutti Frutti, banda que gravou com Rita Lee logo após sua saída d’Os Mutantes. E a imensa maioria vai falar do solo de “Ovelha Negra” (que todo air guitar de respeito já “tocou”). Carlini foi um guitar hero no sentido completo da palavra — e não só pelos ótimos discos de uma fase específica da carreira —, tendo produzido e participado de grandes músicas e influenciado gerações de guitarristas no Brasil (e em outros países).
Nosso guitar hero foi vizinho dos Mutantes, tendo convivido com a genialidade que a banda produziu. Após Rita Lee iniciar carreira com Roberto de Carvalho, Carlini continuou sendo relevante. Tocou com Erasmo Carlos, Titãs, Camisa de Vênus e Guilherme Arantes (só para citar alguns). Em cada gravação, deixava presente seu estilo único e um timbre que, na primeira audição, já me fazia identificar o meu guitar hero.
Morou um tempo em Florianópolis. Cruzei duas vezes com ele na Lagoa da Conceição e não consegui conversar direito (em uma delas, rolou um breve aperto de mão). Mas Carlini era meu guitar hero brasileiro e já tínhamos “conversado muito” em vários momentos da minha vida. Seus solos — dos famosos aos desconhecidos — me acompanharam em festas, ressacas, viagens e tantos outros momentos em que eu estava ouvindo sua música. Inúmeros solos de air guitar fiz tentando tocar de maneira parecida com a dele.
Então, este breve texto é para agradecer ao meu guitar hero favorito por tudo que vivemos — e vamos continuar vivendo —, pois vou seguir “tirando seus solos” nos meus momentos de air guitar.
Obrigado, mestre. Rest in peace!



