Segundo single de “Azucrim”, disco previsto para setembro, traz parceria com Guilherme Ziggy e reforça a mistura de punk, garage rock e poesia na obra da artista
A artista brasiliense radicada em São Paulo, Marina Mole, lançou “Slowdancing”, segundo single de seu próximo álbum, “Azucrim”, previsto para o segundo semestre pelo selo Café8 Music. Depois de apresentar o surf rock solar de “Luneta Azul”, a cantora e compositora revela agora um outro lado do disco: uma faixa mais crua, influenciada pelo garage rock e pelo punk, sem abrir mão da poesia.

A música nasceu a partir de uma parceria com o poeta Guilherme Ziggy, autor do livro “Consultas Autônomas” (2019). A letra surgiu de textos desenvolvidos pelos dois através do jogo surrealista conhecido como cadáver delicioso, técnica em que diferentes pessoas constroem uma obra coletiva sem conhecer completamente a contribuição dos demais.
“Comecei a compor essa música numa época em que estava ouvindo muito ‘Não sei dançar’, da Marina Lima. Eu estava refletindo sobre a ideia que ela traz: dançar devagar para acompanhar alguém. No meu caderno também tinham poemas escritos com o Ziggy por meio do jogo surrealista cadáver delicioso. Peguei algumas frases e criei uma parte mais falada na música”, explica Marina.
A parceria também nasceu de um momento de troca criativa entre os dois artistas. “Nós estávamos escrevendo muito juntos e lidando com situações similares, com essa sensação de não conseguir dançar no mesmo ritmo que alguém e, ainda assim, querer se arriscar. Então íamos para o bar trocar ideia e disso surgiram vários textos”, conta.
Musicalmente, “Slowdancing” aproxima o rock de garagem de uma construção mais narrativa. Partindo de um riff inspirado em The Cramps, a faixa cresce gradualmente até desembocar em guitarras distorcidas e uma energia mais acelerada.
“Costumo dizer que uma boa parte de Slowdancing nem frita e nem relaxa, vamos criando uma expectativa e seguramos isso até finalmente criar um clima frenético”, define a artista.
A relação entre música e poesia é uma das marcas da trajetória de Marina Mole. “Esse encontro do rock com a poesia é algo que está entre as minhas grandes influências. Eu tenho o nome Patti Smith tatuado no braço, literalmente”, comenta.
Na gravação, Marina é acompanhada por cleozinhu (bateria e backing vocal), Lucas Monch (baixo) e Vitor Wutzki (guitarra e backing vocal). Registrada em fita de rolo por Beeau Gomez no Estúdio memoria, a faixa mantém a estética analógica que atravessa todo o álbum “Azucrim”, com mixagem e masterização assinadas por Eduardo Possa, da Exclusive Os Cabides.
Com uma trajetória que passa por diferentes linguagens artísticas, Marina Mole atua como cantora, compositora, jornalista, artista visual e videomaker. Radicada em São Paulo há cerca de uma década, a artista vem construindo uma identidade própria dentro da cena alternativa da cidade, transitando entre punk, surf rock, garage e registros mais experimentais.
O novo álbum “Azucrim” chega às plataformas em setembro, dando sequência ao caminho iniciado por “Luneta Azul” e agora ampliado por “Slowdancing”.



