Bayside Kings – ATLAS (2026)

Bayside Kings – ATLAS (2026)
(Reprodução)

Quando criança, eu tinha uma mania meio peculiar: abrir um atlas na casa dos meus avós e passar horas olhando mapas, decorando capitais, países e continentes. Era quase um jogo tentar descobrir onde ficava cada lugar e, de alguma forma, entender aquele mundão espalhado pelas páginas.

Anos depois, cá estou novamente diante de um ATLAS. Mas, desta vez, as coordenadas são outras. O novo disco do Bayside Kings tem 14 faixas distribuídas em cerca de 28 minutos. Ou seja, músicas curtas, intensas e diretas, como manda a cartilha do hardcore.

Em seu quarto álbum de estúdio — e o primeiro inteiramente em português, sem contar os EPs —, o quarteto da Baixada Santista mantém o hardcore que construiu sua identidade, mas apresenta uma sonoridade mais lapidada. A produção está mais limpa, os riffs continuam pesados e diretos, enquanto as melodias encontram espaço para respirar entre uma pancada e outra.

Talvez parte dessa evolução também tenha relação com o novo momento do Bayside Kings, agora no catálogo da Deckdisc. E isso também aparece nas letras. Cantando em português, o grupo aproxima ainda mais sua mensagem do público.

O momento não poderia ser mais simbólico: com apresentação marcada para o dia 6 no Rock in Rio, o Bayside Kings chega a uma das maiores vitrines de sua trajetória e reforça seu nome entre os principais representantes do hardcore brasileiro contemporâneo.

Não consegui escolher uma faixa favorita. Para mim, ATLAS funciona melhor quando ouvido como um trabalho inteiro, daqueles em que você dá o play e deixa seguir até o fim.

ATLAS – Bayside Kings

Gravadora: Deck

ATLAS preencheu de forma exemplar a cartiliha do Hardcore Nacional.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.