Fernando Catatau é uma mente inquieta e, ao mesmo tempo, colaborativa. É o típico músico que não fica parado, não se prende a estilos musicais, e esse recém-lançado trabalho nem mesmo seria um álbum pensado como um trabalho de sua banda, o Cidadão Instigado, que, no final das contas, é ele mesmo.
Mas, ouvindo o álbum do início ao fim, um dos mais criativos artistas das últimas décadas ousa praticamente o tempo todo. Da faixa de abertura, uma verdadeira viagem psicodélica, “Sangue no Chão”, à hipnótica “Tudo Vai Ser Diferente” e à meio “brega” “Medo do Invisível”, o álbum transita pelos meandros do eletrônico e por cenários que beiram o término e o apocalíptico.
Ao mesmo tempo que é um álbum predominantemente de um “homem-banda”, é um trabalho cercado de colaborações quase o tempo todo: Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Dustin Gallas, Jadsa, Ava Rocha, Clayton Martin, Regis Damasceno, Rian Batista e YMA.
As letras são fora da curva; as músicas, pequenas telas de uma loucura domada, que flertam com um experimentalismo claro, que se conecta à recusa completa de se inserir em um mercado dominado por algoritmos. Aqui, a verdade se transforma em canções que parecem ter saído de todas as épocas possíveis.
É 2026, sendo um ano generoso para quem gosta de música inteligente e que nos faz pensar.
CIDADÃO INSTIGADO – CIDADÃO INSTIGADO
Gravadora: @Risco
Se esse álbum fosse um escritor, seria Hunter S. Thompson embebido em um ambiente eletrônico.
