Muitas bandas têm histórias de inúmeras desventuras vividas pelas estradas, shows e cidades; até aí, tudo normal.
Ocorre que nós, aqui do outro lado e na frente do palco, também somos possuidores de tantas histórias quanto possível.
Cidade Dormitório e eu temos pouco tempo de convivência, mas, com certeza, pequenas faíscas despertaram um ciclo contínuo de procura e admiração — mais minha do que deles, podem acreditar.
Ao assistir a um show do grupo em 2025, de fato, o show demorou para começar mais que o necessário e, como nestas páginas a crítica é fundamentada e independente, levei essa percepção para a resenha do show.
Reclamações em demasia e pouca fluidez inicial.
Percebi que a banda não curtiu, e até aí, viva a democracia.
No início do presente mês (maio), em um show que deve ter sido muito melhor, uma colega me manda uma mensagem: “Os caras do Cidade Dormitório, no meio do show, perguntaram se o cara do Under Floripa estava presente”.
Toda essa introdução para escrever que Cinema Bélico é um dos melhores trabalhos lançados este ano!
Não preciso me desculpar por opiniões e percepções descritas, mas que trabalho completo!
A metáfora do cinema como arma, como instrumento de combate, é certeira.
As faixas passeiam por praticamente todos os estilos, mas focam no que realmente importa: um indie rock de qualidade absurda e cheio de nuances.
Seria um exagero sem tamanho classificar a banda como os próximos Boogarins? Não sei, mas me pega muito o ir e vir de faixas cheias de acertos e efeitos diferentes uns dos outros.
Letras psicodélicas, letras confessionais, letras construídas de acordo com a música, letras loucas.
Parafraseando Jorge Mautner: “Eu não peço desculpas!”. Mas recomendo a cada um que escute esse álbum do início ao fim, quantas vezes forem necessárias, para entender que, fora do mainstream, existe muita vida inteligente — e Cidade Dormitório é, com toda a certeza, uma das melhores bandas da atualidade!
CINEMA BÉLICO – CIDADE DORMITÓRIO
Gravadora: Matraca Records/YB Music
Um dos melhores álbuns lançados em 2026, até aqui. Imagens sonoras, letras com imagens, indie, psicodelia e acidez, em um trabalho perfeito!
