Em pleno 2026, a gente se descobre mais livre de preconceitos musicais. Um dos meus maiores preconceitos era com a Fresno — sim, eles mesmos, o atualmente trio (desde a saída de Mario Camelo em 2021). O grupo nunca parou de fato; só foi seguindo o seu caminho como qualquer banda, mas sem o frenesi de décadas passadas — e isso fez bem, porque o natural é a pressão muitas vezes estragar uma possível evolução musical.
Nesse décimo nono trabalho (contando shows ao vivo gravados, EPs e discos de carreira), que só chegou ao meu conhecimento porque, sabiamente, nosso editor Frederico Dilullo me tirou da zona de conforto e sugeriu “Carta de Adeus”.
Entrei na acachapante montanha do emocore e me deparei com um trabalho maduro, coeso e até muito mais afastado do emocore propriamente dito.
Óbvio que os momentos Fresno estão ali: “SÓBRIA” é um exemplo clássico. Belissimamente bem construída, com instrumentos soando em uníssono, mas com pontuais intervenções sonoras e vocais.
“Tentar de Novo e de Novo” me deixou boquiaberto. Uma abordagem quase como um reflexo de Kings of Leon, bem feita — uma canção estruturada dentro da sua proposta.
Até pela inserção de “Pessoa” (letra de Dalto, uma pérola do cancioneiro popular na voz de Marina Lima), o disco é cheio de referências oitentistas e, mais uma vez, a banda me surpreendeu positivamente.
Não descarto ouvir outros álbuns da banda, porque se prender a preconceitos musicais é burrice.
Mas também não quer dizer que eu vá ouvir tudo que não tem chance alguma de me agradar — só que esse álbum da Fresno é realmente bom.
Sigam em frente, rapazes. Essa é a mensagem!
CARTA DE ADEUS – FRESNO
Gravadora: Fresno/Elemess
2026 e eu sigo me surpreendendo: escutar algumas vezes um álbum da Fresno e gostar! Evoluir é possivel!
