Hermanos Gutierrez – Los Ojos del Cóndor (2026)

Hermanos Gutierrez – Los Ojos del Cóndor (2026)
(Reprodução)

Dois irmãos, dez músicas e os Andes inteiros pela frente.

Depois de Sonido Cósmico (2024) e da turnê que botou o duo suíço‑equatoriano em todo lugar, Hermanos Gutiérrez volta com “Los Ojos Del Cóndor”, um disco que é basicamente uma viagem de avião sobre os Andes em 10 faixas instrumentais.

Abro um parêntese aqui. Conheci o Hermanos Gutiérrez graças ao Barcinski e fiquei maravilhado logo de cara. Mas sempre me faço a mesma pergunta quando escuto a dupla: por que artistas como Gustavo Santaolalla, Sonido Gallo Negro ou Chicha Libre, cada um dentro de sua própria proposta, não carregam um hype parecido? Enfim. Fecha parêntese.

Produzido novamente por Dan Auerbach, em Nashville, Los Ojos Del Cóndor mantém aquelas guitarras melancólicas, espaçosas e cinematográficas que praticamente viraram assinatura dos irmãos. A diferença é que, desta vez, charango, percussões e alguns toques de órgão ajudam a puxar o trabalho ainda mais para a América do Sul.

E existe uma história bonita por trás disso. O conceito do álbum teria partido de uma fotografia do pai dos irmãos em Machu Picchu. A partir daí, o disco foi construído quase como uma carta de amor à Cordilheira dos Andes e às histórias sul-americanas. Faz sentido.

É difícil ouvir essas músicas sem criar alguma imagem na cabeça.

Em suma, Hermanos Gutiérrez é uma banda de atmosfera. De clima. De colocar duas guitarras para conversar e, de alguma maneira, fazer você imaginar desertos, estradas, montanhas e lugares que talvez nunca tenha visitado.

Nada de inovador mas extremamente necessário.

Los Ojos del Cóndr – Hermanos Gutierrez

Gravadora: Easy Eye Sound

Não precisa de letra quando a paisagem fala por si.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.