Se existe uma banda que levou o espírito do punk rock ao limite da autodestruição, da provocação e do deboche, essa banda é o Dwarves. Ao longo de mais de quatro décadas, o grupo norte-americano construiu uma reputação tão extrema que, por vezes, suas polêmicas pareciam maiores do que a própria música.
Oriundos da ensolarada Califórnia e capitaneados pelo excêntrico Blag Dahlia, os Dwarves nunca fizeram questão de seguir regras. E “Jenkem”, seu 17º álbum de estúdio, deixa isso claro desde o título. Para os não iniciados, jenkem é uma substância alucinógena artesanal produzida a partir da fermentação de excrementos. É exatamente essa a filosofia do disco: algo sujo, desconfortável e absolutamente impossível de ignorar.
O álbum é, talvez, o barato mais barato que o punk rock pode oferecer e isso deve ser entendido como um elogio.
O disco abre com “Confused” e imediatamente estabelece o contrato com o ouvinte: riffs pesados de hardcore, vocais em coro e nenhuma preocupação em fazer apresentações. Logo em seguida, “We Are the Scene” funciona quase como um manifesto, com a banda reafirmando sua própria existência desafiadora. As faixas raramente ultrapassam os dois minutos, e muitas desaparecem antes mesmo que você consiga processar o que acabou de ouvir.
“Hey Melania” é o momento mais abertamente político do álbum, embora Blag Dahlia tenha sido rápido em desmentir qualquer interpretação pró-Trump. A música resgata aquilo que o rock sempre fez de melhor: provocar, desafiar convenções morais e gerar desconforto. Nada mais, nada menos.
Em suma, para quem gosta de punk rock e hardcore com atitude e zero concessões, “Jenkem” é um lançamento que honra a tradição dos Dwarves sem soar datado. Um disco ideal para ser ouvido no volume máximo, sem pausas e com a mesma intensidade do primeiro ao último segundo.
Jenkem – Dwarves
Gravadora: Greedy Records
Os Dwarves retornam com "Jenkem", um disco rápido, agressivo e fiel ao espírito do punk rock que tornou a banda uma lenda do underground.
