É impossível escrever sobre a música brasileira sem citar essas figuras ímpares, que vêm de uma escola com mais de 50 anos de serviços prestados.
O jazz brasileiro é um dos carros-chefes que o “Boss” Adrian Younge faz questão de resgatar desde o início do seu selo Jazz Is Dead.
O novo lançamento traz uma das mais belas vozes do cancioneiro brasileiro, Joyce, e seu parceiro de vida, o baterista Tutty Moreno.
Apesar de estarem juntos desde 1977, esse é apenas o segundo trabalho dos dois juntos.
Com oito canções entre português e inglês, o disco tem aquela pegada da década de 70 do século passado, quando, dentro do que era chamado de “mainstream”, as experimentações davam muito da tônica das produções.
Aqui, as canções mantêm aquela pegada de scratches vocais e o encontro quase surreal dos instrumentos, principalmente percussão, bateria, violão e guitarra.
Com oito canções e 28 minutos, Joyce, Tutty e Adrian trazem um dos melhores lançamentos do selo nos últimos anos.
Os destaques aqui são “Uaná Eté”, “Fingers”, “Sorria de Novo” e “Círculo Vicioso”.
“Círculo Vicioso” é uma declamação de um poema no melhor estilo do jazz mais antigo, em apresentações em clubes norte-americanos e alguns cafés nas décadas de 50 e 60 do século passado, com letra inspirada no poema de Machado de Assis, de mesmo título.
Com um equilíbrio elegante entre o samba e o jazz, a brasilidade e a produção são de fino esmero. E não tinha como ser diferente: é muito difícil errar com tanto talento junto.
Para quem quer escutar música de qualidade, o vigésimo sétimo lançamento do JID é música viva e que pede passagem!
Joyce e Tutty Moreno JID027 – Adrian Younge, Joyce Moreno & Tutty Moreno
Gravadora: Jazz Is Dead
Quando se reune um time de craques, não tem como a múisca dar errada!
