Existem bandas que marcaram uma época, como é o caso do Ludovic, e na verdade, eu não conseguia entender o motivo da mesma ter se afastado dos palcos e lançamentos de álbuns cheios.
Desde 2006, a banda com seu poderoso trabalho “Idioma Morto”, não lançava um trabalho cheio. Vinte anos depois o autointitulado álbum “Ludovic” chega as redes e a espera finalmente acaba!
Ciente da diferença entre o quarteto e seus pares há décadas atrás, sempre ansiei por um retorno.
Justamente essa diferença que se acentua em um álbum mais maleável, menos agressivo e com maior participação dos músicos Eduardo Praça e Zeek Underwood, e é aí que os trabalhos anteriores “Servil” (2004) e “Idioma Morto” (2006) em confrontamento ao novo álbum soam mais ácidos e trazem um recorte quase punk, crú e diretos.
“Ludovic” é uma evolução natural, do que já era bom, letras sem meias verdades e uma banda mais afeita a andamentos mais flexíveis, mas ao mesmo tempo, mantendo a postura de um grupo que não faz concessões.
O que se pode esperar do novo álbum é uma banda que não se repetiu, que olhou para frente e usou a estrada construída como uma ponte para conceber um trabalho que soa como um novo Ludovic.
Com a instrumental “A Ebulição do Não Dito”um renascimento está nascendo no álbum, para logo em seguida surgir “Desde Que Eu Morri”, canção que já tinha sido lançada como single nas redes musicais, e nada muda a percepção em relação a ela, um petardo reto e direto com o melhor que o grupo pode apresentar.
“Pedestal” tem uma linha de baixo hipnotizante, simplesmente um resumo de como construir uma faixa com o mínimo.
“Marja”, seria uma canção de amor? Um desabafo?
As construções das canções são pensadas de maneira a que cada uma, pense ou reflita um pensamento de relacionamento, reflexão, relacionamento ou politica, tudo de maneira pontual, ou passo a passo, sem pressa…como a música tem que ser.
O álbum é contemplativo, instigante e principalmente revelador, como é o novo “Ludovic”, que ousou a sair do campo antes conhecido ácido e direto para permear outros caminhos até voltar para si mesmo, de maneira diferente!
LUDOVIC – LUDOVIC
Gravadora: Balaclava Records
O retorno após 20 anos é cheio de significados, mas o terceiro trabalho cheio, mostra uma banda que não deveria ter parado.
