Mombojó – Solar (2026)

Mombojó – Solar (2026)
(Reprodução)

Inegável que Pernambuco é um dos estados brasileiros com maior destaque na cena musical nacional. Desde Luiz Gonzaga (o rei do baião), passando por Alceu Valença até o manguebeat (cujo expoente máximo foi Chico Science & Nação Zumbi), sempre temos bons sons vindos daquelas terras. E um dos expoentes dos sons pernambucanos, a banda Mombojó, acaba de lançar seu novo álbum, intitulado Solar.

Formada no início dos anos 2000 (mais precisamente em 2001), a banda despontou com uma apresentação no Abril Pro Rock de 2002. Em 2004, na extinta revista OutraCoisa (que era um projeto do cantor Lobão), a banda lançou o primeiro trabalho, intitulado Nada de Novo (meu disco favorito deles até hoje). Ali já ficava clara a mistura de manguebeat, indie rock, psicodelia e Jovem Guarda que seria uma marca do som deles. De lá para cá, foram mais cinco álbuns (o último foi Carne de Caju, de 2024, com ótimos covers de Alceu Valença), nos quais, apesar de alguns altos e baixos, consolidaram o grupo como um dos expoentes dos bons sons vindos do Nordeste.

Solar mostra que a banda continua relevante, trazendo uma pegada mais indie rock, sem esquecer as influências que marcaram sua sonoridade ao longo dos anos. Se nos covers de Alceu havia mais psicodelia e Jovem Guarda, aqui a banda investe no indie rock com uma pegada ensolarada. A faixa inicial, “Quero Amanhecer”, abre com um teclado que remete ao álbum anterior e é seguida do verso “volta logo, vem depressa” (destaque também para a participação do francês Le Commandant Couchê-Tôt). Daí em diante, temos uma mistura entre faixas com convidados — “Sob o Vento Forte” tem Laetitia Sadier, do Stereolab; “Em Cima da Areia” tem Nailson Vieira; “Abaixo a Realidade” tem Letrux; “Em Plena Sexta-Feira” tem Lucas Afonso; e “Canudo de Luz” tem Hervé Salters com Sofia Freire — e faixas só com a banda (“É o Poder da Dança” e “Mergulhando no Mar”), que levam o ouvinte a uma viagem por uma psicodelia nordestina em uma linguagem global.

As oito faixas funcionam muito bem para trazer o mundo para Recife e levar Recife para o mundo (aqui, a atitude de Chico Science permanece presente na banda). Escute “Sob o Vento Forte”, “Abaixo a Realidade” e “É o Poder da Dança” e perceba isso. Nesse mix sonoro, são postas boas letras sobre amor e vida, tornando ainda melhor a experiência sonora de Solar.

Mais um bom álbum nacional neste 2026 inspirado na música brasileira (principalmente no rock). Escute e boa diversão.

7.5

Solar – MOMBOJÓ

Gravadora: Independente

Banda pernambucana lança novo álbum de inéditas, com convidados especiais, e uma pegada que sempre agrada aos fãs (da banda e de música).

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.