A quantidade de bandas e artistas lançando material novo é completamente insana.
Pedro Lanches é um deles. “Apenas” um artista solo, mas acompanhado por uma banda de apoio afiada, o jovem volta com um novo EP coeso, intenso e no famoso “papo reto”, sem firulas: a direção que move sua música e o objetivo que a sustenta.
Calcado no indie, no shoegaze e em generosas pitadas de emocore — bem distribuídas ao longo das cinco canções —, o trabalho já figura entre os melhores EPs lançados até aqui no ano.
Há flertes com a música eletrônica, como em “Miopia”, além de momentos mais experimentais. Em “Vergonha”, Pedro Lanches expõe as incertezas de uma geração por meio de letras carregadas de emoção contida e confissões diretas.
Existe uma discussão recorrente sobre onde termina um EP e começa um álbum — se em seis ou sete canções. Não há consenso. O que fica claro, porém, é a maturidade presente em “Sementes”, um trabalho que constrói uma ponte entre o eletrônico dos anos 1990 e o indie contemporâneo. Talvez essa seja sua melhor sacada.
Sem se prender a um tema específico, o EP acaba se destacando como um ponto fora da curva.
Sementes – Pedro Lanches
Gravadora: Matracas Records
Com pegada de anos 90 e indie atual, o EP tem a "cara" de disco cheio, inteiramente muitissimo bem resolvido!
