Quinze anos depois de Seiva, disco que ajudou a transformar o quinteto paulistano em uma das bandas mais importantes do hardcore nacional, Rancore retorna com BRIO, seu quarto trabalho, lançado pela hypada e sempre prestigiada Balaclava Records.
E bom, devo confessar que, numas duas ou três ouvidas em loop que dei aqui no trabalho ontem de tarde, o maior mérito do álbum é não soar como uma tentativa de reviver o já saudoso ano de 2011.
Até porque seria relativamente fácil: bastaria fazer algo que já deu certo, aumentar um pouco a distorção e apelar em cheio na simples nostalgia de quem cresceu frequentando festivais de hardcore em casas abafadas pelo sul e sudeste do país. Eu seria um desses jovens, inclusive.
A questão é que, ao que parece, Teco Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Gustavo Teixeira (guitarra), Rodrigo Caggegi (baixo) e Ale Iafelice (bateria) resolveram, como sempre, ir além do óbvio.
O tempo passou, a idade adulta chegou em todos nós e, com ela, a maturidade e as responsabilidades que inevitavelmente aparecem quando você deixa de ter vinte anos.
O primeiro single, e segunda faixa “Eu Quero Viver”, já deixava isso evidente. Agora, com o lançamento de dez novas músicas em pouco mais de meia hora, conseguimos enxergar o disco por completo.
Adicionando elementos de post-hc ao já conhecido punk/emo/hc/shoegaze, temos um disco coeso, trabalhado e maduro. Não que os anteriores não fossem. Mas o que temos aqui é um amadurecimento compartilhado, naquele sentimento de identidade coletiva.
Um exemplo claro do que eu acabei de escrever é a faixa “A Nascente”, inspirada no nascimento da Aurora, filha do Teco.
Outra faixa que cito como destaque é “Unhas e Dentes”: ela conversa muito com o Rancore pré-hiato, com aquelas guitarras que parecem que tudo pode explodir a qualquer momento.
Em suma, um baita trabalho! Podemos dizer que aquele quê de Fugazi, Hüsker Dü, rock alternativo noventista e se mistura muito bem ao momento mais intimista do Teco Martins, que depois de 2011 acabou indo para outros horizontes musicais.
E mesmo ante tantas mudanças, diversidades e adversidades, não ficou nada artificial e leva consigo a mesma essência que fez você gostar de Rancore lá atrás.
BRIO – Rancore
Gravadora: Balaclava Records
Rancore retorna após 15 anos com o maduro e intenso álbum BRIO.
