Rancore – BRIO (2026)

Rancore – BRIO (2026)
(Reprodução)

Quinze anos depois de Seiva, disco que ajudou a transformar o quinteto paulistano em uma das bandas mais importantes do hardcore nacional, Rancore retorna com BRIO, seu quarto trabalho, lançado pela hypada e sempre prestigiada Balaclava Records.

E bom, devo confessar que, numas duas ou três ouvidas em loop que dei aqui no trabalho ontem de tarde, o maior mérito do álbum é não soar como uma tentativa de reviver o já saudoso ano de 2011.

Até porque seria relativamente fácil: bastaria fazer algo que já deu certo, aumentar um pouco a distorção e apelar em cheio na simples nostalgia de quem cresceu frequentando festivais de hardcore em casas abafadas pelo sul e sudeste do país. Eu seria um desses jovens, inclusive.

A questão é que, ao que parece, Teco Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Gustavo Teixeira (guitarra), Rodrigo Caggegi (baixo) e Ale Iafelice (bateria) resolveram, como sempre, ir além do óbvio.

O tempo passou, a idade adulta chegou em todos nós e, com ela, a maturidade e as responsabilidades que inevitavelmente aparecem quando você deixa de ter vinte anos.

O primeiro single, e segunda faixa “Eu Quero Viver”, já deixava isso evidente. Agora, com o lançamento de dez novas músicas em pouco mais de meia hora, conseguimos enxergar o disco por completo.

Adicionando elementos de post-hc ao já conhecido punk/emo/hc/shoegaze, temos um disco coeso, trabalhado e maduro. Não que os anteriores não fossem. Mas o que temos aqui é um amadurecimento compartilhado, naquele sentimento de identidade coletiva.

Um exemplo claro do que eu acabei de escrever é a faixa “A Nascente”, inspirada no nascimento da Aurora, filha do Teco.

Outra faixa que cito como destaque  é “Unhas e Dentes”: ela conversa muito com o Rancore pré-hiato, com aquelas guitarras que parecem que tudo pode explodir a qualquer momento.

Em suma, um baita trabalho! Podemos dizer que aquele quê de Fugazi, Hüsker Dü, rock alternativo noventista e se mistura muito bem ao momento mais intimista do Teco Martins, que depois de 2011 acabou indo para outros horizontes musicais.

E mesmo ante tantas mudanças, diversidades e adversidades, não ficou nada artificial e leva consigo a mesma essência que fez você gostar de Rancore lá atrás.

BRIO – Rancore

Gravadora: Balaclava Records

Rancore retorna após 15 anos com o maduro e intenso álbum BRIO.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.