Quando descobri a banda Schlop foi por acaso, através de um stories em um perfil de uma casa de shows (no caso A Porta, localizada no bairro de Pinheiros-SP). Ali tinha uma vocalista/guitarrista, no caso Bella Pontes, que me chamou a atenção e uma sonoridade instigante. Fui em streamings e descobri que a banda já tinha um álbum, intitulado Canções de Amor para o Fim do Mundo, e uns singles nas plataformas digitais. Ah, Bella, além de cabeça da banda, é uma agitadora cultural, sendo uma das autoras do projeto Mapa da Música Autoral de São Paulo.
E, recentemente, Bella Pontes lançou o segundo disco da Schlop, com o sugestivo título de Cachorros e Madames no Fim do Mundo, que me surpreendeu positivamente. Nesse álbum Bella está acompanhada de Lucia Esteves (guitarra), Alexandre Lopes (baixo) e Antonio Valoto (bateria, sintetizadores e guitarra). Ah, Valoto também foi o produtor do álbum. As influências são variadas, mas inegável a lembrança ao Pavement, Guided by Voices e Veruca Salt. As faixas do álbum são, essencialmente, canções caseiras que Bella compôs e ganham uma nova roupagem, com banda, para esse álbum.
Clássicos abre o álbum com as guitarras noventistas e o verso: “os clássicos são clássicos”. Se a velha MTV estivesse na ativa, essa era uma música para ter um clipe em alta rotação na histórica emissora. Marquinho Van Halen é outra ótima canção (já havia sido lançada em single), com destaque, novamente, para as guitarras. São Paulo eu Te Amo, mas Tá foda Demais é uma releitura da música do LCD Soundsystem New York, I love you but you’re bringing me down. Aqui a letra retrata de forma mais crua o que é viver (e gostar de) São Paulo. O seguinte trecho resume a música: “Entro num ritual de uma ressaca infernal e dois dias depois volto a trabalhar. Não penso num mundo cruel e nem no valor do aluguel, como num filme do Buñuel”. A letra retrata bem o caos e o encantamento de viver em São Paulo.
Trilho do Trem tem, para mim, tem as melhores guitarras do álbum. Rima Triste, Canção do Fim do Mundo e Rei do Velotrol mantém a pegada guitarrística noventista(que está presente em todo álbum). Peixes Fora D’água encerra o álbum com aquela vontade de “vale ouvir do novo”.
Em quase 30 minutos e com 8 músicas, Cachorros e Madames revela uma banda que mostra uma sonoridade muito interessante, seja pelas letras, timbres de guitarras e o talento de Bella Pontes. Em um ano em que os lançamentos de nacionais chamam atenção pela qualidade e diversidade, Schlop consegue ter um lugar de destaque, mostrando que tem potencial para se firmar com uma banda inovadora desse “novo” rock nacional. Confere o som deles e boa diversão.
Cachorros e Madames no Fim do Mundo – Schlop
Gravadora: Tratore
Projeto paulistano lança o disco com os melhores títulos de músicas do ano, pegada noventista e letras irônicas.
