Conheci a Surfbort em 2019, não exatamente por um disco, mas pela campanha da Gucci protagonizada por Dani Miller. O close no sorriso “imperfeito” virou debate sobre estética nas redes e, de certa forma, já antecipava tudo o que a banda faria ali pra frente: transformar o que foge do padrão.
Em Reality Star, terceiro álbum da banda, esse discurso ganha forma mais lapidada. O disco é meio que conceitual, falando sobre um reality show distorcido, onde fama, ego e internet viram personagens caricatos.
Musicalmente, há uma evolução clara se comparamos aos trabalhos anteriores. O trio mantém a sujeira do punk/noise, mas comprime tudo em faixas rápidas, com refrões quase pop de tão grudentos. “Lucky” e “USA Cheese” são exemplos perfeitos dessa equação. Outra faixa que destaco é “Hot Dog”, que abraça o pop e amplia os horizontes musicais. Algo muito atual, diga-se de passagem.
Contudo, as referências continuam evidentes, mas bem digeridas. Tem o DNA de Black Flag e Dead Kennedys na agressividade e aquele quê de The Distillers. Nada mal, não é mesmo?
Com 14 faixas em menos de 30 minutos, Reality Star é, basicamente, um disco que não perde tempo. Por isso, no fim, o que mais me chama atenção é o equilíbrio que a Surfbort encontra aqui. Se em trabalhos anteriores o caos às vezes parecia mais instinto do que direção, agora ele soa intencional.
Tá com vontade de ouvir algo divertido, crítico, irônico e amplamente barulhento? Parabéns, acabou de achar.
Reality Star – Surfbort
Gravadora: TODO Records
Entre o deboche e o barulho, a Surfbort entrega em Reality Star um punk rápido, irônico e surpreendentemente pegajoso.
