A primeira coisa que pensei quando ouvi Todo Bien Todo Mal foi: caralho, voltei no tempo.
Voltei para aquele início dos anos 2010 em que eu passava horas ouvindo bandas como Eu Serei a Hiena, Polara e At the Drive-In. Uma época em que a internet parecia menos tóxica, as redes sociais ainda não tinham transformado todo mundo em criador de conteúdo e a música independente parecia existir apenas pelo prazer de existir.
Nascida entre Caracas (Venezuela) e Madri (Espanha), a banda faz questão de carregar essa identidade híbrida em sua trajetória. E é justamente dessa mistura que surge “Malo para la educación, peor para la salud“, um álbum de estreia que chega sem pedir licença.
Misturando post-hardcore, screamo e rock alternativo, o quarteto entrega dez faixas que ocupam cerca de quarenta minutos e soam como uma descarga emocional constante. Entre os destaques, “Esto de Aguantar” e “Morichales y Tulipanes” chamaram minha atenção logo de cara, mas a verdade é que o disco funciona melhor quando ouvido por inteiro.
Até porque, na minha análise, existe uma unidade sonora muito interessante aqui, sustentada por dissonâncias, tensão e uma energia que parece prestes a sair do controle a qualquer instante.
Sem dúvida, um dos lançamentos mais interessantes que encontrei nas últimas semanas. E, desta vez, preciso agradecer ao algoritmo do Spotify por ter acertado em cheio.
Malo para la educación, peor para la salud – Todo Bien Todo Mal
Gravadora: Independente
Todo Bien Todo Mal mistura post-hardcore e rock alternativo em álbum de estreia explosivo.
