Existe algo curioso acontecendo com o rock indie nos últimos anos: o revival dos anos 2000 já virou realidade. E sim, isso é meio perturbador para quem viveu aquela fase “ontem”. Porque, aparentemente, agora ela já virou nostalgia.
É nesse território ou contexto que entra ALEXSUCKS com Autopilot, disco lançado em fevereiro de 2026. O quarteto de Los Angeles bebe direto da fonte do “garage revival” que moldou a virada do milênio: guitarras cortantes, bateria seca, refrões imediatos e aquela sensação constante de juventude meio desajustada. Em outras palavras: tudo aquilo que The Strokes, Libertines, The White Stripes e companhia fizeram virar padrão duas décadas atrás em pistas como a do Mix, 1007 e Blues Velvet.
Com nove faixas enxutas, Autopilot funciona como um disco direto ao ponto. A faixa-título abre caminho com riffs nervosos e urgência juvenil, enquanto “Flinch” puxa o som para um indie dançante com synths discretos. Já “The Headache” e “Flowers & Dirt” reforçam a vocação da banda para melodias pegajosas, como se uma fita de 2002 fosse achada hoje, em pleno 2026.
Mas assim, o mérito da ALEXSUCKS é entender que nostalgia funciona melhor quando não vira uma cópia descarada. Até porque “Autopilot” claramente dialoga com o revival do garage rock dos anos 2000, mas tenta atualizar a fórmula com produção mais polida e pequenas incursões eletrônicas. E no fim, O álbum soa como um lembrete estranho: aquela cena que parecia recente já virou referência histórica.
É com bandas como Alexsucks que percebo que o indie rock que moldou nossa juventude agora está oficialmente em modo revival. Não faz tanto tempo, mas já faz bastante tempo. Se é que você me entende.
Autopilot – Alexsucks
Gravadora: Warner
É com bandas como Alexsucks que percebo que o indie rock que moldou nossa juventude agora está oficialmente em modo revival. Não faz tanto tempo, mas já faz bastante tempo. Se é que você me entende.
