Under Floripa entrevista: Ottopapi

Under Floripa entrevista: Ottopapi

(Under Floripa)

Ottopapi é punk! O Under Floripa conversa com uma das grandes promessas da cena independente brasileira.

No dia 05 de março, fui assistir ao Circuito Nova Música no Cine Clube Cortina (localizado no centro de São Paulo) e, dentre as quatro bandas que estavam escaladas para tocar, tinha um DJ para animar os intervalos. Quando subi para pegar uma água, estava tocando uma música que me chamou a atenção. Como não tinha ideia do que era, usei o Shazam para descobrir e apareceu a música “A Mais Gata Dessa Festa”, do Ottopapi. Aí eu me perguntei: quem é o Ottopapi?

Ottopapi é um dos grandes destaques da nova cena independente paulistana (e brasileira), lançou recentemente o elogiado álbum Bala de Banana e tem feito shows intensos por São Paulo. Após “descobrir” quem ele era, mantive contato pelo Instagram e agendamos um papo em um bar no centro de São Paulo (que rolou em março de 2026).

A conversa, que deveria ser breve, durou quase uma hora. Ali falamos sobre música, carreira, cena independente em São Paulo, o álbum Bala de Banana (e o papel do produtor Chuck Hipolitho), música, vontade de fazer shows no sul do país (Florianópolis está na rota), música e música. E deu para perceber que o cara tem estrela. Ao final, ficou claro: Ottopapi é punk, no mais real sentido da expressão. Confere esse papo muito legal.

Under Floripa: Eu estava lendo em um site: não existe uma balada legal em São Paulo sem a presença do Ottopapi. Cantor, produtor, DJ e designer. Quem é Ottopapi?

Ottopapi – Cara, eu estava na análise agora e falando exatamente sobre essas coisas, sobre a quantidade de coisas que eu faço, como que eu me vejo nisso. Eu sou multiartista, não me considero apenas um cantor, longe disso, não me considero apenas um compositor, longe disso, tô aprendendo muito ainda.

Sou um DJ aprendendo, designer aprendendo, eu sou curioso. Eu me meto onde eu acho que posso somar com as pessoas, somar pra música, sou apaixonado por música, acho que essa é uma definição boa.

A música é meu guia, assim, porque a partir dela eu aprendi a ser designer, aprendi a ser compositor, aprendi a fazer tudo o que eu sei fazer por causa da música. Então, a música é o grande bicho.

UF: Você tem, para mim, um visual que mistura David Bowie com Júpiter Apple — escrevi isso na resenha que fiz para o site. Existe a ideia de criar um personagem em torno do Ottopapi (como foi o Ziggy Stardust e o próprio Jupiter Apple)?

Ottopapi – Cara, não é muito uma ideia de que eu preciso criar esse personagem, porque eu estou sendo muito eu. Sou essa pessoa que está sempre mudando, pinto o cabelo de vermelho, mas não fique esperando que vou pintar novamente de vermelho, não gosto de ir para onde as pessoas estão esperando que eu vá. Isso está sendo divertido, é minha onda.

Mas eu sou o Otto e o Ottopapi é outra coisa. Gosto de fazer essa separação, é um escudo em que eu me protejo e em que atuo artisticamente, então me dá uma liberdade de brincar. A brincadeira, para mim, é uma coisa muito maravilhosa. Minha carreira é onde eu brinco, brinco de fazer música, músicas divertidas, eu gosto disso, gosto que o show seja divertido.

Então, se for um personagem, que seja das travessuras, dessa coisa mais leve. Eu gosto disso, de trazer isso de volta. Gosto que os shows sejam calorosos, gosto dessa festa, não quero que seja coisa de rock cabeção, que a galera fica com frio. Eu quero dominar o ar-condicionado, quero que o ar trabalhe para as pessoas não ficarem suadas.

Eu ouço muito essa coisa do Júpiter, foi um cara que escutei bastante, gosto muito e me identifico muito, mas nunca foi uma coisa assim: foi mirar nele, não. Assim como falam de Julian Casablancas e Iggy Pop. Falam muitas coisas e são sempre legais. Amo todos esses caras, ouço eles.

Esses dias estava mostrando para minha namorada coisas do Júpiter com as quais eu me identifico muito, as coisas tipo que eles gostam: anos 60, Stereolab (banda que adoro). Gosto de Velvet Underground, Stereolab, Caetano e Cazuza. E eu sou tudo isso que eu amo.

UF: Já que você falou dessa coisa divertida, uma coisa me chamou muita atenção no álbum Bala de Banana: foram as letras grudentas. Você termina de escutar e tem vontade de ouvir novamente. Então eu queria saber como é teu processo de criação (letra e música)?

Ottopapi – É engraçado que eu acho que quando eu dou risada ou a pessoa que está comigo ali criando, eu mostro para amigos e eles também dão risada, é um bom sinal e eu acho que me apego a isso.

Eu sempre fui engraçadinho. Na escola, piadista de sala de aula, o professor ficava falando as paradas e eu ficava fazendo piada ali com ele. Não era mal educado, não era pra aprontar, não. Era piadista ali, ficava lá atrás do comentariozinho perfeito, né. Só pra dar uma desvirtuada ali na escola. Então, acho que tem isso, assim, né.

Fora que eu venho, assim, também de uma cena, né, de São Paulo, que tem muito movimento emo, São Paulo tem o hardcore, é forte aqui. É fácil ser de São Paulo e ir pra esse lugar mais neblina, né. O Soturno, uma coisa mais dura e densa.

Só que na minha família só sou paulistano. Meu pai é carioca, minha mãe nasceu em Belém, cresceu aqui em São Paulo, mas eu sempre fui diferente, o meu humor sempre foi diferente, pra cima. Eu sou solar, minha energia é solar. Eu nasci depois de um show do Rolling Stones. Em 1995 minha mãe foi grávida lá e no dia seguinte, eu nasci. Então, eu carrego isso comigo, assim.

E eu sentia falta disso nas músicas que eu ouvia dos meus amigos, nas bandas, na minha cena. Eu sentia falta disso, eu sentia falta de um show engraçado. E não há num lugar assim, Mamonas Assassinas. Aí eu acho que pode encaixar mais num lugar do Júpiter, tipo Síndrome de Pânico e A Marchinha Psicótica. Tem uma acidez ali, sabe?

Fui psicodélico um tempo e isso carrega, assim, né? Essa de tirar de onda, esse deboche, tá nas músicas. Mas é uma coisa muito natural. Ah, essa ideia que me agradou, gostei, ficou, entendeu?

Esse disco eu não fui tão crítico, me permiti naturalidade, entendeu? Me permiti ser muito criativo, inventivo, e o quão menos sentido fizesse, mas que a junção das palavras ficassem bonitas, eu deixei, sabe? Não me importei em fazer uma puta letra, não pensei em fazer uma puta letra.

Componho no computador, monto a base, faço a bateria, faço o baixo, faço as guitarras, e aí venho com a letra, aquela ideia ali surge, assim, sabe? Músicas como “Pó Poeira” e “Meus Podres”, vieram já com a base. Eu já tinha a base e vou balbuciando umas coisas, meio escrevendo e é louco porque venho de um inconsciente, né? Passa um tempo e depois eu vejo e digo: olha o que eu tava pensando, vivendo, sentindo, assim, sabe?

A minha escrita não é num lugar, estou escrevendo aqui coisas e isso aqui vai virar uma música. Às vezes eu roubo umas ideias de caderno meu, mas eu gosto de escrever a letra em cima da base. Porque aí eu já vou mais preciso na intenção. No que você vai construir a partir dali.

E brincando, assim, gosto de loops, trabalhar com loops. Deixo um loop ali e fico ali, ó, ouvindo, ouvindo, ouvindo. E balbuciando. E isso vou encaixando cada sílaba para virar uma palavra. Vai por aí.

E aí, quando dou risada das letras, eu me surpreendo também. Às vezes eu me surpreendo do que estou escrevendo e gosto quando me surpreendo, é um processo que fui desenvolvendo assim por madrugadas aí.

UF: Quem produziu teu disco foi o Chuck Hipolitho (sou fã dos Forgotten Boys). Como foi trabalhar com alguém muito experiente no cenário do rock (de uma outra geração)? Como ele interferiu no processo de criação das músicas? Como foi a relação de vocês?

Ottopapi – Cara, foi um sonho realizado. O Chuck é um herói, sempre foi um herói para mim. Uma referência, e foi mágico, porque ele virou mais herói e mais referência depois de tudo isso. Porque o carinho que ele teve comigo, a paciência, a liberdade, a criatividade, tudo. O jeito que ele produziu essa relação comigo. “Produziu essa relação” é ótimo, porque ele produziu essa relação que aconteceu nesse disco de uma maneira linda, porque a gente se viu pouco, mas nos vimos bastante, e a gente mandava áudios longuíssimos um para o outro, e eu ouvia com a maior calma do mundo, e ele me ouvia com a maior calma do mundo, e ele respondia a toda pergunta que eu fazia, comentava toda frase que eu fazia, e foi uma soma.

Quer saber por que o Chuck foi o escolhido? O Chuck, em 2013, postou no Facebook: aí bandas novas, venham gravar comigo aqui no Estúdio Costela, só 800 reais, três músicas. E eu já tinha minha banda lá, a Fat Coin, que era uma grungeira, e aí eu mandei mensagem para ele. Eu já gostava dele, desde com as Vespas Mandarinas, MTV, assim, entendeu? E aí mandamos uma mensagem: vamos gravar aí.

E ele deu uma aula de rock para a gente. Dizia: não vai ser no clique, para de pensar no solo de guitarra, toca aí, foda-se, que eu quero a energia de vocês, sabe? E isso ficou eternizado para mim. Ele abriu o estúdio, produziu com a gente, deixou a gente com vontade. E ele falava: pô, vocês têm verdade, vocês são corajosos, é isso.

E a gente foi se vendo poucas vezes entre 2014 (ano que gravei a primeira vez com ela, lá nos meus 19 anos) e 2024. Aí ele me mandou uma mensagem dizendo: meu, tô querendo tocar bateria, tô querendo produzir. Cadê a galera? Me manda umas coisas aí e tal. O que tá rolando?

E eu já tinha feito dois shows como o Ottopapi. Eu tocava guitarra ainda e era uma banda de quatro pessoas. E aí ele me mandou isso, eu demorei três/quatro dias e respondi falando assim: mano, eu tô com umas músicas aqui, ouve aí. E ele ouviu e falou: caralho, que foda. O que a gente faz?

Aí eu, tipo, ó, eu gravo tudo no Logic, eu te mando, você mexe. E aí começou. Mexeu primeiro, acho, que foi em “Ruim da Cuca”. Aí depois eu falei: tá, mas começa na “Bala de Banana”, que ela é o negócio.

E aí ele mexeu em “Bala de Banana”, e essa música tem aquela parte do meio que é “mais um Silva, podes crer”, que eu tinha gravado essa ideia de letra e tinha excluído, tinha apagado, tinha mutado, era uma parte instrumental. E aí ele me mandou com essa voz, ele falou assim: cara, isso aqui é o bicho, isso aqui é foda. E eu, tipo, ah, será? Essa letra eu fiz meio de madrugada, meio qualquer porra, só para preencher. E ele: não, a história se passa com esse verso.

E aí ele fechou o Bala de Banana e eu fiz isso. E aí, meu, a partir dessa, foi tipo música por música, a gente se falando sempre, mexendo, ah, aumenta isso, diminui aquilo, faz um bzzz aqui, ó.

Só que ele não gravou nada. Tudo que estava lá de instrumento, de gravação, eu fiz, e aí, conforme a gente ia avançando nas músicas, eu ia chamando amigos, dizendo: ah, grava isso aqui, grava isso aqui. Foi a hora que começou a andar o negócio, amigos foram participando, amigos foram ouvindo, ah, grava backing vocal, grava guitarra.

E aí eu ia fazendo mais músicas, ah, fiz essas duas aqui: “Perdi o Controle” e “Meus Poderes”, elas são primas. Elas têm uma ligação muito forte, até que eu disse: o disco começa e termina na mesma energia. A “Perdi o Controle” e “Meus Podres” tinham o mesmo sample de bateria.

Eu vou querer lançar as minhas versões, sem o Chuck, as demos (risadas). Porque elas são mais fechadinhas.

E a “Meus Podres” e a “Perdi o Controle” são primas porque elas vieram em dois dias. Um trabalho de dois dias, eu fiz as duas. Eu falei: eu fiz esses aqui, o que você acha? E aí ele já mexeu, ele já transformou.

A “Meus Podres”, no disco, é a que mais é ao vivo, é um take que a gente fez ao vivo lá no meu estúdio, que aí é a minha banda tocando. E as outras não são tão “umbanda”, assim, é mais produção, assim.

Mas foi mágico, ele brilhou. A produção, a música “PuroJogoDuro”, que é bem sintética, bem barulhenta, eu acho que ele mandou muito bem, ele entendeu muito bem a sujeira que eu queria. Um “strux” superexagerado, sujo e exagerado.

Ele entendeu, e a gente tem essa coisa de gostar do rock, do pop rock dos anos 80, entendeu? Ele gosta da canção em português, ele me atentou muito a certas sílabas, ele grava essas sílabas, fala “Bala de Banana” direito, sabe? Ele me atentou a essas coisas, assim, e não me cobrou nada.

Under Floripa entrevista: Ottopapi 2
(Under Floripa)

UF: Você é DJ, cantor, design etc. Como você vê a cena paulistana? Como pensa em levar teu trabalho para o resto do país? Tem planos de ir para o Sul?

Ottopapi – Cara, eu quero ir para o Sul primeiro, porque eu sei que lá esse disco, para mim, ele vai combinar com o Sul. Eu nunca fui para Porto Alegre, nunca fui para o Rio Grande do Sul, já fui para Floripa. Já fizemos show em Itajaí, com a galera lá. Quero ir para o Sul primeiro. Eu tô bolando essa turnê, né? Tô trabalhando nisso.

Quero fazer o Sul, eu quero fazer o Centro-Oeste, né? O Norte de Minas, tem Brasília, tem Goiânia, eu quero tocar em Belo Horizonte, tocar em Vitória, tá legal para caramba, tem a Laja, tem o Maré Tardia (lá de Vila Velha). Tem o Rio de Janeiro, amo o Rio, lá tem o escritório, Transfusão Noise, Léo Almeida e companhia. Eu quero, eu preciso rodar, eu quero tocar em Recife, boa parte da minha família é de Recife. Na verdade, eu quero tocar, eu preciso, né? Eu acho que esse disco merece isso. Acho que as pessoas, de alguma maneira, precisam ver um show desse, assim, essa diversão.

Eu ainda tô aprendendo a lidar com o disco gravado e com a diferença dos dois. Eu acho maravilhoso eles terem diferença. Mas é um sentimento estranho para mim. Mas o show eu acho muito legal. O disco é um chicletinho, ele é um cardápio para o show. É uma amostrinha.

Sobre São Paulo: temos o Mamãe, tem o Bar Alto, tem o Cine Clube Cortina, a Porta Maldita, a Porta, tem mais espaços que estão surgindo, o Estúdio Aurora, tem, fora desse centro, tem o Veganasso, que é na Zona Leste e preciso ir conhecer. Acho que a nossa cena aqui, ela tá bem aqui.

Tem o triângulo ali da Vila Madalena, ou melhor, quadrilátero, que é: o Bar Alto, Porta Maldita, Porta, Casa Rocambole. Ali ferve, ali é ótimo. As bandas têm que passar por lá. Tem o Fenda, em Perdizes. Tem o FFFront. Eu acho que as bandas têm que tocar em todas essas. Às vezes fica uma coisa meio de grupos, não toco ali, não toco lá, mas tem que promover esse intercâmbio entre as casas.

Tem iniciativas que nem o Minuto Indie, tem o Festival Cinco Bandas, o Circuito Nova Música. O Popload fez agora com o Bar Alto e a Balaclava. Esse começo de ano é difícil para as bandas independentes, por causa do Carnaval, vai ter Copa do Mundo, eleição, as bandas ficam meio paradas. Têm medo de se arriscar. É, mas tem que botar para tocar.

Eu acho que tem uma efervescência boa, mas a gente tem um problema: a gente não tem onde muito mirar. A gente não pode mirar “quero que minha música toque na Malhação”, “quero que meu clipe passe na MTV”, a gente mira onde? Qual é o lugar que as bandas têm que mirar? Eu também não sei.

A gente tem que mirar em rodar, em fazer nossos shows, abaixar um pouco a bola, né? A gente tem que circular, circular, fazer o movimento ficar mais forte, mais divulgado, e aí isso tá na nossa mão, sempre foi difícil, até a hora que tá forte junto.

Eu, Ottopapi, não vou, nem meu selo sozinho, o Seloki Records, nem a Rocambole, nem o selo Risco, nem a Balaclava. Óbvio, cada um tem seus pontos fortes. Existiu o Boogarins, o Terno Rei, o Terno, esses consagrados. O Grilo tem um público muito legal, sabe? Mas é difícil para todo mundo e precisa colar mais e fortificar mais, pensar em eventos gratuitos, estar alinhado com as prefeituras, pegar os editais de cultura, precisa fazer show indie de graça, espalhar cultura indie, cultura independente, que é o “faça você mesmo”, que é o “junto com seus amigos e faça um selo”, sabe?

Eu penso muito que existe um manifesto que eu preciso escrever, que é esse manual de instrução para você e seus amigos se juntarem e formarem uma banda. Não fica querendo entrar no meu selo, não fica querendo entrar no selo do outro. Faz o seu com a sua galera. Ah, vocês são uma banda? Vocês são em cinco? Dois, três ali precisam abrir um selo, entendeu? E se juntar a outras bandas. É um pouco mais por aí que eu acredito que a mudança pode vir.

Mais gente, mais pessoas estudando, mais pessoas preparadas, entendendo o mercado fonográfico, sabendo o que é o ISRC, sabendo o que é a UBC, o que é a Abramus, sabendo o que é uma editora, estando em contato com as distribuidoras, fazendo merchandising, camiseta, tem que ter mais produtor de camiseta, tem que ter CD, tem que ter fita cassete, tem que ter vinil, toda banda tem que ter camiseta, alguns adesivos, zine, precisamos estar contando o que está acontecendo.

Pode ser que não tenha nada, mas daqui a 40 anos alguém vai fazer um museu, alguém vai contar essa história, alguém vai fazer um documentário. Pode ser que ninguém fique grande, pode ser que tudo vá por água abaixo, mas nunca é água abaixo. É a vida das pessoas, as pessoas precisam produzir, criar.

Se você ficar trabalhando aqui em São Paulo, todo mundo CLT, todo mundo cansado, todo mundo se foder… Eu luto, a minha vida… acho que o meu lugar de privilégio é que eu posso ter a escolha de poder não estar em outra coisa. Já trabalhei em outras coisas, foi legal, aprendi, tal, mas é um saco, quero fazer meus negócios para fazer as coisas e dar meu jeito.

No momento, eu tô conseguindo dar meu jeito, entendeu? Uma hora pode ser que não, mas é que às vezes o dinheiro trava, né? E eu entendo.

Eu venho de uma família que tem um pouco de noção de música, de urbanidade, de como participar, de como criar, de como fazer, de como mobilizar, na verdade. Minha família é uma boa mobilizadora. Temos primos de festa de música eletrônica. Meu pai é um cara que era do skate, que fazia campeonatos de skate aqui em São Paulo. Então ele sempre incentivou isso na gente.

Na minha casa tinha quadra de futebol, um campinho ali que meu pai botou uns canos e virou gol, depois mesa de ping-pong e depois virou estúdio, entendeu? Então eu venho desse lugar em que a gente era incentivado. E isso faz diferença até hoje.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.