Já escrevi em resenhas anteriores que não sou fã de duos. Para me testar, nosso ditador-chefe me passou a tarefa de resenhar o álbum Vol. II, do hypado duo Angine de Poitrine. Pelo tempo entre o lançamento do álbum e a publicação da resenha, você já percebe que não foi uma tarefa fácil.
Esse duo vem das terras geladas do Canadá e é formado por Khn de Poitrine e Klek de Poitrine. O som deles se encaixa no math rock. No final de fevereiro, começaram a pipocar elogios à sua sonoridade, tanto em blogs quanto em perfis de redes sociais (no Brasil e no exterior). Nomes de peso da crítica musical, como o jornalista André Barcinski, rasgaram elogios à sonoridade e ao estilo da dupla. Com um primeiro álbum lançado em 2024 (Vol. I), que não gerou grande repercussão, eles insistiram e alcançaram os holofotes da internet.
É inegável que ver dois músicos — guitarra e bateria — tocando músicas instrumentais e vestidos de forma dadaísta (máscaras de papel machê com narizes gigantes e roupas estampadas com bolinhas brancas e pretas) chama atenção e desperta curiosidade.
E despertar a curiosidade é, para mim, o grande mérito do duo. É impossível não ficar curioso e ouvir com atenção o som que Vol. II nos apresenta. No início do texto, falei que o som era inspirado no math rock, e posso citar artistas como King Crimson (fase Discipline) e Primus como claras referências nas seis faixas que fazem parte do álbum.
A questão é que, no meio da segunda música, a curiosidade já evaporou, e a sonoridade de dissonância e confronto entre os instrumentos começa a ficar cansativa. Isso, aliado ao peculiar som de guitarra — de dois braços, que opera em um sistema microtonal e faz as vezes de baixo ou de bateria —, pesa na experiência. Isso é legal? Sim, mas com prazo de validade curto. E isso, na minha opinião, vem do tempo de duração das músicas (cinco delas têm mais de seis minutos) e de um modo peculiar das composições.
Desde a abertura com “Fabienk”, passando por “Mata Zyklek”, “Sarniezz”, “Yor Zarad” e “Angor”, tudo soa muito bem feito (sob um aspecto até inovador), mas chato. É música de músico para músico. Tem o seu valor, mas não para todo o hype que tem sido feito. E que fique registrado: gosto de rock instrumental, mas que não seja chato.
No final, os Poitrine são engraçadinhos no vestir e chatinhos no ouvir. Mas pode ser algo que envolva o disco, pois assisti a uma apresentação deles na KEXP (abaixo) e me pareceu menos chato. Em síntese: vale escutar. Quem sabe, para você, leitor, o hype pega e Vol. II se torna uma boa diversão.
Vol. II – Angine de Poitrine
Gravadora: Spectacle Bonzai
Duo canadense hypado na internet entrega disco feito por músicos talentosos para ser ouvido por músicos ou para quem quer dormir.
