Escrever sobre os norte-americanos do All Them Witches deveria ser uma tarefa fácil, mas não é.
Na estrada desde 2012, o quarteto que se tornou trio (desde a saída de Allan Van Cleave em 2018) e voltou a ser quarteto novamente após a saída do baterista original (nada é simples…), é uma daquelas bandas que não tem um disco ruim, aí é que está o problema.
A linearidade e liberdade sonora dentro da estética do grupo é algo diferente.
Eles não são da turma do heavy metal, mas tocam rock pesado; não são tão stoners assim, mas mantêm a pegada com cadência absurda.
O óbvio é creditar uma potencial mistura de delta blues, heavy metal primitivo, desert rock e space rock, até chegar nesse improvável grupo.
Uma das bandas mais interessantes das últimas duas décadas!
Inegável a associação ao country mais pesado ou a um southern rock sombrio demais para classificá-los dentro de uma caixinha.
A possibilidade de esse sétimo álbum de estúdio não ser o ápice da banda, mas a continuidade da própria banda em desafiar-se, um álbum após o outro, é o caminho mais fácil.
Com a hipnotizante “Red Rocking Chairs”, o grupo avança em canções cada vez mais densas e melancólicas.
“Aethernet” vai no oposto, um southern rock cadenciado, talvez o tempo necessário para enrolar um cigarro artesanal e aproveitar a paisagem.
“Hold Up Say What” vem como um bólido acelerado. Com cuidado, aos poucos, e o baixo em destaque, junto com toda a banda.
Após ouvir diversos álbuns, essa faixa me faz pensar que o grupo não para de surpreender com as quebradas de cadência em faixas que parecem ser um rock e, do nada, se transformam em melancolia.
Embora tenha 04:04 de duração, a faixa parece ter mais e abraça, de maneira despudorada, estilos que se opõem.
A voz do vocalista Charles Michael Parks Jr. é seguramente uma das melhores das bandas atuantes do que costumamos chamar de rock, de 2000 para cá, além, é claro, de ser um multi-instrumentista.
Uma voz segura, forte e sempre no tom certo de cada faixa.
E não, não é auto-tune; nos shows, a segurança vocal é exatamente a mesma.
“Starting Line”, outra faixa que vai e volta para compassos lentos, ora mais pesados. Pura maestria.
O disco prossegue com faixas mais ou menos intensas até chegar em “Saturn Song”, outra balada deliciosamente contemplativa.
E é exatamente onde o disco deve terminar, de maneira sólida e pungente, do jeito que deveria ser.
HOUSE OF MIRRORS – ALL THEM WITCHES
Gravadora: Bmg Rights Management
Não existe nenhum álbum cheio ruim do All Them Witches, e isso diz muita coisa. Se você não concorda, isso é problema seu.
