All Them Witches – House of Mirrors (2026)

All Them Witches – House of Mirrors (2026)
(Reprodução)

Escrever sobre os norte-americanos do All Them Witches deveria ser uma tarefa fácil, mas não é.

Na estrada desde 2012, o quarteto que se tornou trio (desde a saída de Allan Van Cleave em 2018) e voltou a ser quarteto novamente após a saída do baterista original (nada é simples…), é uma daquelas bandas que não tem um disco ruim, aí é que está o problema.

A linearidade e liberdade sonora dentro da estética do grupo é algo diferente.

Eles não são da turma do heavy metal, mas tocam rock pesado; não são tão stoners assim, mas mantêm a pegada com cadência absurda.

O óbvio é creditar uma potencial mistura de delta blues, heavy metal primitivo, desert rock e space rock, até chegar nesse improvável grupo.

Uma das bandas mais interessantes das últimas duas décadas!

Inegável a associação ao country mais pesado ou a um southern rock sombrio demais para classificá-los dentro de uma caixinha.

A possibilidade de esse sétimo álbum de estúdio não ser o ápice da banda, mas a continuidade da própria banda em desafiar-se, um álbum após o outro, é o caminho mais fácil.

Com a hipnotizante “Red Rocking Chairs”, o grupo avança em canções cada vez mais densas e melancólicas.

“Aethernet” vai no oposto, um southern rock cadenciado, talvez o tempo necessário para enrolar um cigarro artesanal e aproveitar a paisagem.

“Hold Up Say What” vem como um bólido acelerado. Com cuidado, aos poucos, e o baixo em destaque, junto com toda a banda.

Após ouvir diversos álbuns, essa faixa me faz pensar que o grupo não para de surpreender com as quebradas de cadência em faixas que parecem ser um rock e, do nada, se transformam em melancolia.

Embora tenha 04:04 de duração, a faixa parece ter mais e abraça, de maneira despudorada, estilos que se opõem.

A voz do vocalista Charles Michael Parks Jr. é seguramente uma das melhores das bandas atuantes do que costumamos chamar de rock, de 2000 para cá, além, é claro, de ser um multi-instrumentista.

Uma voz segura, forte e sempre no tom certo de cada faixa.

E não, não é auto-tune; nos shows, a segurança vocal é exatamente a mesma.

“Starting Line”, outra faixa que vai e volta para compassos lentos, ora mais pesados. Pura maestria.

O disco prossegue com faixas mais ou menos intensas até chegar em “Saturn Song”, outra balada deliciosamente contemplativa.

E é exatamente onde o disco deve terminar, de maneira sólida e pungente, do jeito que deveria ser.

10

HOUSE OF MIRRORS – ALL THEM WITCHES

Gravadora: Bmg Rights Management

Não existe nenhum álbum cheio ruim do All Them Witches, e isso diz muita coisa. Se você não concorda, isso é problema seu.

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.