Ed O’Brien – Blue Morpho (2026)

Ed O’Brien – Blue Morpho (2026)
(Reprodução)

A introspectiva canção que abre esse trabalho já nos dá a dica de que o cantor britânico (e integrante do Radiohead) bebeu na fonte do folk e da psicodelia (americana e britânica), principalmente em artistas e bandas como Nick Drake, Jefferson Airplane e Love.

O artista, que se autoproclama poeta e fazendeiro (do tempo em que morou por um ano no Brasil, em uma cidade do interior), parece mesmo tirar da paisagem bucólica a inspiração para canções como “Incarnations” e “Blue Morpho”, faixas claramente psicodélicas, contemplativas e de orquestração ímpar.

É importante ressaltar o trabalho de produção do álbum. Um trabalho coeso e objetivo.

O dedilhado das cordas em “Sweet Spot” é outro presente. Leve, envolvente e lindo.

O disco tem uma virada na quarta faixa. Aí começa a outra “metade” do álbum.

A virada vem em “Teaches”, uma faixa com pegada eletrônica mais fechada, quase dark, na linha de With Animals, de Duke Garwood e Mark Lanegan. Ambiências, efeitos e clima sombrio se desenrolam faixa adentro.

“Solfeggio” é outra canção eletrônica, sem vocais no modo tradicional, um pouco mais lenta, e assim segue o disco, inclusive com a última faixa, de nada curioso título: “Obrigado”.

O nosso poeta, fazendeiro e também compositor está fora do lugar-comum, e isso se traduz em um trabalho de cunho único e especial.

A propósito, a sétima faixa, “Obrigado”, é em inglês e cantada com um ritmo mais cadenciado, flertando com a eletrônica e também com uma sonoridade típica das músicas inglesas dos anos 1990 e 2000, principalmente de bandas que trafegavam nesse limiar entre o folk, o indie e o eletrônico.

As experiências transformam a arte.

9.0

Blue Morpho – Ed O'Brien

Gravadora: Trangressive Records Ltd.

Introspectivo, lirico, interiorano e somando tudo isso, contemporaneo e eletrônico. Para ser bom, não precisam explicações.

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.