Começar a ouvir um álbum de Diego Medina, é um deleite para quem foge do lugar comum. Ele não se prende a nenhuma espécie de manual ou estilo desde que surgiu com a extinta Video Hits em 1999 e gravou um dos álbuns mais interessantes e diferentes dentro do rock pop nacional.
Com uma verve incomum aos letristas desde que os compositores começaram a se levar muito a sério, Medina sempre foi a contramão. O rock pode ser engraçado, sarcástico e nonsense. Pode ser ácido, pode falar de comida e ao mesmo tempo violência, pode ser literalmente o que quiser, e aí o trabalho de um ourives do caos sonoro, cai como uma luva na mente inquieta do gaúcho que nunca parou com nenhum dos seus trabalhos: músico, ilustrador (dos bons!), ator, mente insana a frente de inúmeros trabalhos e o mais importante: saber onde e como quer chegar.
Não ter estilo, faz parte de seus trabalhos. Por isso é um desafio dos bons ouvir suas loucuras sonoras! Dito tudo isso, “Masquerade Machine” gravado há muitos anos e finalmente revelado e concluído em nosso querido ano de 2026 é uma loucura!
A faixa titulo é um compêndio de tudo o que Medina consegue fazer em uma faixa apenas: soul, caos, rock dos anos 70, pop dos anos 70, eletrônica e efeitos sonoros.
Basicamente, o disco é um ápice musical. E porquê?
Porque se Diego conseguiu mostrar uma face mais séria, como na faixa “ O Palhaço (Agora Sou Eu) ”, eu acredito que esse disco é um dos melhores trabalhos já lançados pelo artista.
Com a colaboração do baterista Michel Vontobel (baterista da Video Hits), o disco é um caos sonoro (sim, estou me repetindo e isso não é prolema seu, leitor.). Semeado por letras loucas, sensacionalismo, flerte com o absurdo, Medina é uma alma contra o mundo.
Não, você não vai encontrar o álbum no Spotfy, porque segundo o próprio artista, a qualidade sonora do streaming não reflete o trabalho finalizado, não mostra a tranqueira que é para upar o álbum para dentro do aplicativo (sim, fui perguntar porque o disco não estava lá), é um trabalho absurdo ficar criando códigos e registros, e no final das contas, ouvir no bandcamp faz muito mais sentido (essa última parte, é um pensamento meu!).
Estamos em 2026, e poucas pessoas se dão o trabalho de buscarem artistas fora da curva.
Pois bem, essa é a oportunidade de ouvir na íntegra alguém que não tem medo de porra nenhuma e se desnuda enquanto artista (ele também já gravou um ou mais videoclips nú, então, não vão encontrar alguém mais corajoso que ele no cenário)
De quadrinhos malditos em forma de canção “O Cartão de Azazel” até canções alternativas em inglês, “ Somebody´s Watching “ e “Beautiful Face”, o gaúcho mais doido que Plato Divorak (sim, eles também têm uma conexão artística, deixem de preguiça e pesquisem) se reineventa, ano após ano, e continua na labuta ingrata de criar o caos sonoro!
https://diego-medina.bandcamp.com/album/masquerade-machine
MASQUERADE MACHINE – DIEGO MEDINA
Gravadora: SUMA!DISCOS
Caos, loucura, medo e delírio no novo trabalho de Diego Medina, um dos arautos do nonsense, picardias e letras anos luz a frente do seu tempo!
