Com muitos anos de serviços prestados à música, inclusive dando aula de simplicidade e técnica em um documentário para ninguém menos que Jimmy Page, Jack White quer o retorno ao básico, não apenas em seus shows mais recentes (onde tem sido sistematicamente contra o uso de celulares), mas também na música, onde visa chamar a atenção para o que realmente importa.
Frozen Charlotte, seu novo álbum, é uma ode ao que importa ao rock: a guitarra, esse instrumento “demoníaco” que deve ser tratado como o motor da música.
Com sonoridade garage, as primeiras faixas são puro deleite: “G.O.D. And The Broken Ribs” (entenderam o porquê do instrumento demoníaco?) exala o pecado e a luxúria, enquanto a suingada “Derecho Demonico” é a ode aos pedais.
Pode parecer simples, mas não é.
Ao traçar o novo álbum com 12 faixas que exaltam o seu instrumento de trabalho (sem trocadilhos!), o capo da Third Man Records quer apenas uma coisa: que realmente a música volte a ser o centro das atenções.
Com sonoridade básica e mais garage que nunca, Frozen Charlotte é um tremendo passeio por estilos.
Da grandiosidade de Hendrix, à técnica de Page, à crueza de Jon Spencer, White olha para o passado para focar somente no que importa.
É um grande disco, sem sons para agradar as massas tomadas por instantes nas redes sociais, mas não vai impedir que as bandas e artistas que reverenciam as mídias continuem a existir.
Porque o que sempre importou dentro do rock, como sempre conhecemos (um aparte ali e aqui, nem sempre a guitarra), é o instrumento tão bem representado que nasceu da evolução do primeiro violão nas mãos de um escravizado que tocou o primeiro blues, e assim evoluímos até as grandes canções que Jack White nos traz até aqui.
O retorno ao simples, à música e à sujeira que deixou de existir em tempos tão ligados a uma geração perdida dentro de seus próprios umbigos e celulares.
FROZEN CHARLOTTE – JACK WHITE
Gravadora: Third Man Records
Uma aula para a volta da simplicidade eo que realmente importa: A MÚSICA E A GUITARRA, sem concessões!
