Vivemos uma época em que boa parte dos lançamentos parece disputar a atenção do ouvinte nos primeiros quinze segundos.
Fitas, de Laura Tereza, faz exatamente o contrário. Não tenta viralizar, não busca refrões explosivos nem exagera na produção. O álbum desacelera e convida o ouvinte a fazer o mesmo.
A cantora e compositora catarinense segue um caminho cada vez mais raro: o de confiar na própria música. Ao longo de oito faixas, constrói um trabalho delicado, sustentado pelo violão, por arranjos enxutos e por uma voz doce que conduz toda a experiência com naturalidade. Nada soa excessivo. Pelo contrário: cada elemento parece ocupar exatamente o espaço de que precisa, tornando a escuta leve e extremamente agradável.
E sim, há uma personalidade evidente em todo o disco. O encontro entre folk, Nova MPB e leves nuances de soul acontece de forma orgânica, sem parecer uma soma calculada de referências. As influências existem, mas nunca engolem a identidade de Laura Tereza.
Essa característica aparece especialmente em faixas como “Beija-Flor”, “Olha Pra Mim”, “Me Faz Feliz” e “Antes de Partir”, nas quais os arranjos minimalistas permitem que as letras e a interpretação conduzam toda a experiência.
No cenário independente de Santa Catarina, onde cada vez mais artistas têm encontrado caminhos próprios para desenvolver seus projetos, Fitas surge como mais um exemplo de que identidade vale muito mais do que tendência. E Laura Tereza, no fim das contas, simplesmente faz boas canções e confia nelas.
Fitas – Laura Tereza
Gravadora: Independente
Antes de qualquer rótulo entre folk, Nova MPB ou soul, Fitas, de Laura Tereza, é um disco sobre boas canções.
