Finalmente, um novo trabalho cheio de Rincon Sapiência (o Manicongo, certo?) desde seu último álbum, “Dramas, Danças e Afroreps” (2019).
Se engana quem achou que o rapper paulista ficou parado ou sem lançar nada. Com mais de uma dezena de singles e participações em outros trabalhos (de Leo Gandelman a Anitta!) Rincon não deixou barato: são 17 faixas com vários estilos: afrorap, rap, trap, soul, música africana..
A grande sacada no seu terceiro trabalho cheio é justamente a contraposição de temas sonoros, sem se prender a nenhum estilo, mas saber o equilíbrio que cada faixa puxa a outra, cada tema pode casar com outro, cada dedo na ferida tem a consequência e mantem o caldeirão fervendo que ele sempre traz em cada trabalho.
Os beats trazem mais liberdade a cada escolha do artista. “Cassino” parece Cassiano atualizado para 2026; “Diáspora” a primeira faixa é acelerada, como se o rapper não tivesse tempo a perder.
Voltando para “Cassino”, quando você escuta: “São Paulo é uma cidade gigante/mas eu me sinto sozinho”, Sapiência sabe que mesmo na arte, as vezes nos sentimos sozinhos, e a sua música é uma válvula de escape.
“Tropa do Manicongo”, que petardo! Pesadona e evocando “Meu Bloco” do álbum “Galanga Livre”, a mistura a evocação a religião de matiz africana junto com o beat pesado e o agogô ecoando, é a liberdade, é o voô livre o poeta, ziguezagueando pelos becos da comunidade.
Ouvir “Um Corpo Preto” é uma ode ao povo preto, periférico e as mazelas que ousamos ignorar, é uma porrada no estomago e ao mesmo tempo a evolução de Sapiência para um artista completo!
Num exercício de ousadia, o álbum deveria ser tocado em escolas para ajudar no combate ao racismo.
PODER PARA O POVO PRETO!
UM CORPO PRETO – RINCON SAPIÊNCIA
Gravadora: Mgoma
Aqui a grandeza de Rincon atinge o máximo! Um trabalho que evoca a luta do povo preto, mas também fala da alegria de viver.
