Formada em São Paulo em 2018, Turmallina é uma banda de shoegaze e dream pop. Agora, em 2026, a banda lança seu álbum de estreia, Enquanto o mundo dorme. O projeto apresenta uma fase de amadurecimento da banda, reunindo músicas com letras melancólicas, temas sobre relacionamentos conturbados e as inseguranças de viver nessa relação, mas sem perder a autenticidade instrumental que marca a Turmallina.
Um mês antes, já tínhamos tido um gostinho do que seria o álbum, por conta do lançamento do EP Não tem espaço pra mais nada (além do seu ego) , que reúne três das músicas que aparecem no álbum. O EP foi a prévia perfeita para o que viria pela frente, e escutar o álbum completo fica mais difícil não gostar do resultado.
É escutando o álbum como um todo que percebemos a forma como as músicas conversam entre si. As letras parecem confessar sentimentos enquanto se juntam aos riffs de guitarra, à batida da bateria e à marcação do baixo. Tudo soa harmônico, mesmo sendo barulhento — e aqui o barulho não é uma crítica, é o ponto alto do disco. Essa construção faz com que cada integrante tenha seu espaço, conseguimos ouvir cada instrumento e como se conectam e somam para cada faixa.
O contraste é o que chama atenção, os vocais suaves de Gabe Jordano se misturam com as guitarras de Caio Silva e Marcos Marques, ao baixo de Edu Campos e à bateria de Paula Janssen, criando o som envolvente e denso que marca a Turmallina.
Enquanto o mundo dorme é um álbum que não tem medo da própria vulnerabilidade. Ele fala sobre sentimentos desconfortáveis enquanto as músicas nos envolvem e nos convidam a entrar nesse transe de misturas de melodias.
No final, a Turmallina entrega um bom álbum de estreia, que mostra a personalidade da banda e deixa vontade de acompanhar os próximos passos.
ENQUANTO O MUNDO DORME – TURMALINA
Gravadora: Independente
Sentimentos, contrastes sonoros, vunerabilidade. Uma obra que não tem medo de expor a fragilidade das relações e do cotidiano.
