Oblomov – Questão de Fogo (2026)

Oblomov – Questão de Fogo (2026)
(Reprodução)

Umas duas pessoas mandaram esse disco. Ouvi pela primeira vez e não desceu.

Deixei uns dias para maturar a ideia do álbum, vi que ninguém falou sobre ele no grupo da redação e ouvi mais três vezes. E cá estou eu para comentar sobre Questão de Fogo, primeiro álbum cheio da banda goiana, radicada em Minas Gerais, Oblomov.

A impressão agora é bem diferente daquela primeira. De fato, eu precisava de um tempo para digerir o trabalho, porque tem tanta coisa acontecendo que uma passada simplesmente não dá conta.

Com nítidas influências da turma da Tropicália, Clube da Esquina, psicodelia brasileira dos anos 1970, neo-psicodelia e afins, são dez faixas em que a tônica é, justamente, a pluralidade de estilos musicais que acabam convergindo para uma identidade própria.
O trabalho inicia com “Questão de Fogo”, que poderia estar tranquilamente em algum álbum de “O Terno”, pela delicadeza e sutileza da faixa. Já “Perererou” é uma música em que o samba psicodélico rola solto e que poderia (e ainda pode) tranquilamente tocar em algum set de discotecagem na Bugio.

Na sequência vem “Cansade” (em linguagem neutra), em que voltamos ao espectro indie. A quarta faixa é “Amei Demais”, que conta com a participação de Dinho Almeida, do Boogarins. E, como não poderia ser diferente, é uma música minada de neo-psicodelia brasileira, sendo, para mim, um dos pontos altos do álbum.

Dando continuidade, aparecem “Dos Trilhos” e “Decidi Mudar”, músicas belas, harmônicas e bastante contemplativas. A última conta com uma bela flauta doce e elementos vocais bastante viajantes. “Pavão Azul”, próxima faixa, também é bastante contemplativa e acaba se distanciando um pouco daquele indie “à la O Terno e Boogarins”, mas não deixa de ser uma bela música.

Por último, temos uma trinca em que vem de tudo um pouco: “Dentro da Maçã” fica dentro do indie rock; “Cabeça de Pedra” abraça o folk; e “Tamarineiro” volta ao samba psicodélico dos Novos Baianos.

Como puderam ler, é algo bem complexo, cheio de camadas e que leva seu tempo para ser analisado e digerido. No fim, eu gostei. E não foi pouco. Mas, se tivesse ficado apenas naquela primeira audição, provavelmente teria rejeitado.

Por isso, a dica é essa: hoje, quando você chegar em casa, tire uma hora do seu tempo, sente no sofá e escute de forma despretensiosa, mas atenta, esta pérola chamada “Questão de Fogo”.

Oblomov entrou na minha lista de melhores do ano. Mas também não é algo que dê para ouvir o tempo todo, toda hora.

Questão de Fogo – Oblomov

Gravadora: Honey Bomb Records

Demorou para descer, mas Questão de Fogo provavelmente entrou na lista dos melhores do ano.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.