“Eu gritei o mais alto que pude por ajuda, peço desculpas por isso aliás” ~ Entre a Ternura e a Violência ~ “Uma Resa”
A mistura fina, entre a agressividade dos riffs sujos e o instrumental clean que ora sucede hora antecede as próximas camadas, o som cheio e completo de texturas e alternâncias ou contrastes dinâmicos, screamo e vocal doce, hora declamado, no meio da reza e do desespero, no caos e na dor, momentos de ternura.
A brincadeira entre ser técnico e ser verdadeiro, da poesia declamada e do pranto triste, à insanidade e histeria que grita por amparo, depois se encontra de novo da doçura e na sutileza do arranjo que mistura instrumentos de peso com baixo bem marcado, bateria virtuosa e suave à guitarra hora brilhantemente limpa e melódica, ora pesada e suja com sons de teclado e violinos.
O ritmo viciante das baladinhas junto dos versos de screamo, da banda que carrega na temática o emocional com uma sensibilidade madura que transcende o gênero para se tornar algo maior, a beleza melancólica indissociável a Magnólia.
A introdução de teclado em “Amar é assistir alguém morrer” é de arrepiar, bancar expor a voz cantada com sentimento, com originalidade, mesmo quando ela falha ou de certa forma “desafina”. As coisas como elas são, reais, sem preguiça e com coragem de mostrar pra todos nós o que é uma obra.
A gaita iniciando “Desperdício de tinta”, trechos onde a guitarra distorcida e o baixo se complementam como se fossem um só, nos momentos onde o som é cheio e nos intervalos onde o som respira junto com o riff melódico e limpo que fala, fazendo par com a bateria, tocada com precisão e com volume perfeito na masterização. Sem esquecer o tom de Ópera sinfônica gerando tensão em momentos do arranjo.
Confesso que “Neep” dá vontade de chorar do início ao fim, da declamação, aos cantarolados de Caru, a protagonista do projeto que cresceu em torno dela igual um casulo de uma borboleta.
O som de órgão nos teclados mesclados com som de acordeon que iniciam “Ternura e Violência” ~Título que nomeia o quarto Álbum da banda de rock alternativo, post hardcore e screamo com temática emocional, já cerceiam e anunciam o que virá depois, vai ser pesado, vai ser melódico, delicado, emocional e visceral. Um Álbum riquíssimo, de uma banda completa.
Ternura e Violência – Magnólia
Gravadora: Independente
Um Álbum riquíssimo, de uma banda completa.
