Magnólia – Ternura e Violência (2026)

Magnólia – Ternura e Violência (2026)
(Reprodução)

“Eu gritei o mais alto que pude por ajuda, peço desculpas por isso aliás” ~ Entre a Ternura e a Violência ~ “Uma Resa”

A mistura fina, entre a agressividade dos riffs sujos e o instrumental clean que ora sucede hora antecede as próximas camadas, o som cheio e completo de texturas e alternâncias ou contrastes dinâmicos, screamo e vocal doce, hora declamado, no meio da reza e do desespero, no caos e na dor, momentos de ternura.

A brincadeira entre ser técnico e ser verdadeiro, da poesia declamada e do pranto triste, à insanidade e histeria que grita por amparo, depois se encontra de novo da doçura e na sutileza do arranjo que mistura instrumentos de peso com baixo bem marcado, bateria virtuosa e suave à guitarra hora brilhantemente limpa e melódica, ora pesada e suja com sons de teclado e violinos.

O ritmo viciante das baladinhas junto dos versos de screamo, da banda que carrega na temática o emocional com uma sensibilidade madura que transcende o gênero para se tornar algo maior, a beleza melancólica indissociável a Magnólia.

A introdução de teclado em “Amar é assistir alguém morrer” é de arrepiar, bancar expor a voz cantada com sentimento, com originalidade, mesmo quando ela falha ou de certa forma “desafina”. As coisas como elas são, reais, sem preguiça e com coragem de mostrar pra todos nós o que é uma obra.

A gaita iniciando “Desperdício de tinta”, trechos onde a guitarra distorcida e o baixo se complementam como se fossem um só, nos momentos onde o som é cheio e nos intervalos onde o som respira junto com o riff melódico e limpo que fala, fazendo par com a bateria, tocada com precisão e com volume perfeito na masterização. Sem esquecer o tom de Ópera sinfônica gerando tensão em momentos do arranjo.

Confesso que “Neep” dá vontade de chorar do início ao fim, da declamação, aos cantarolados de Caru, a protagonista do projeto que cresceu em torno dela igual um casulo de uma borboleta.

O som de órgão nos teclados mesclados com som de acordeon que iniciam “Ternura e Violência” ~Título que nomeia o quarto Álbum da banda de rock alternativo, post hardcore e screamo com temática emocional, já cerceiam e anunciam o que virá depois, vai ser pesado, vai ser melódico, delicado, emocional e visceral. Um Álbum riquíssimo, de uma banda completa.

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Ternura e Violência – Magnólia

Gravadora: Independente

Um Álbum riquíssimo, de uma banda completa.

Ana Carolina Terhorst

Ana Carolina Terhorst

Designer de formação, bagunceira de vocação. Meu lema é bagunçar pra depois encaixotar tudo no lugar. Deito no chão do quarto pra ouvir música pelo chão gelado. Não sou muito técnica mas sei exatamente quando me arrepia. Tenho uma guitarra velha que eu achava que era uma Fender mas é só uma Squier.