Bom, desta vez, pelo menos, tem algo que se assemelha minimamente a uma música.
Escrevo resenhas para este site desde 2016. Já dei notas altas e notas baixas. Gostei de muitos discos e detestei tantos outros. Sempre tento ser justo e imparcial. Às vezes, minhas opiniões pessoais pesam, e não consigo ser o melhor resenhista que eu poderia ser — mas eu tento.
A única vez em que soltei a mão e realmente não encontrei nada de redimível num álbum foi com esta banda. Foi a primeira — e, até hoje, única — vez que dei nota zero. Desta vez, eles quase repetiram o feito.
Sem muita cerimônia, a Unknown Mortal Orchestra lançou Curse, um EP com temática que remete ao horror. São seis faixas, e tudo parece muito mal-acabado. É como se tivessem enfiado os microfones num copo de boteco mal lavado, cheio de cerveja choca. Os timbres ficaram opacos, sem vida. Há uma tentativa de simular sonoridades setentistas — aquela distorção de amplificador Orange que parece um mamute raivoso vindo na sua direção —, mas sem sucesso.
Curse não é de todo ruim; tem seus momentos. O riff à la Black Sabbath de “One Hundred Bats” é interessante, mesmo que a música seja uma merda. No geral, a única coisa que me impede de dar outra nota zero pra esse grupo de neozelandeses é o fato de que aqui, ao menos, temos músicas. Mesmo que elas sejam uma merda completa.
Curse – Unknown Mortal Orchestra
Gravadora: Jagjaguwar
Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto.
