Balaclava Fest 2026: Um Encerramento em Alta

Balaclava Fest 2026: Um Encerramento em Alta

(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Budang, High Vis, Adorável Clichê, Wednesday, Winona Riders, Beach Fossils, Sudan Archives e DIIV fecharam a edição de 2026 do festival em São Paulo.

Após o primeiro dia intenso de shows, o que sobrou de mim se dirigiu ao Tokio Marine Hall para mais uma maratona de shows no Balaclava Fest.

A primeira atração do palco Hall foi a catarinense Budang. Com um dos discos mais elogiados de 2025 (o álbum Magia), o quarteto ainda está se adaptando ao novo vocalista Léo Brah (no estilo de som deles, a troca de vocalista sempre tem efeitos). A banda continua competente, mas falta aquela química para tornar o show intenso. Não foi um show ruim, mas também não empolgou (ao menos para mim) e nem para o público (que estava mais ansioso pela abertura do acesso ao palco Balaclava do que pelo som da banda).

A seguir, no palco Balaclava, quem abriu os trabalhos foram os ingleses do High Vis. Escutei a banda antes de ir ao festival e não me empolguei muito. Somado isso ao cansaço que ainda habitava meu corpo, pensei em não assistir a esse show. Ainda bem que fui teimoso e vi uma pancadaria sonora muito boa. Com um set de 15 músicas, a banda liderada pelo vocalista Graham Sayle agitou o bom público presente (meu cansaço desapareceu na metade do set) e mostrou como se faz um bom show de punk/hardcore.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Voltando ao palco Hall, estava começando o show da Adorável Clichê, outro destaque da nova safra catarinense. E foi legal ver o grupo com desenvoltura para tocar as músicas de seus dois álbuns e animar o ótimo público presente. E o shoegaze/dream pop deles funcionou muito bem ao vivo. O destaque da banda, para mim, é a vocalista Gabrielle Phillipi. Ótimo show (se você, leitor, ainda não assistiu, busque a agenda deles para conferir).

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Terminado esse bom show, voltei ao palco Balaclava para assistir ao Wednesday. Já conhecia a banda e curto algumas músicas. O começo do show foi promissor, com “Got Shocked” e “Fate Is…”, mas depois a mistura indie/country/shoegaze não funcionou. Não sei explicar o motivo, mas nem o carisma da vocalista Karly Hartzman conseguiu segurar minha atenção. Uma pena, mas esse foi o show que menos gostei do palco Balaclava.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Assim, fui tomar uma água e busquei um bom lugar no palco Hall para ver os argentinos do Winona Riders. E valeu muito a pena, pois a mistura de psicodelia/garage/kraut que os hermanos fazem se tornou muito mais intensa ao vivo. Que showzaço. Foram 45 minutos viajantes, com muitas guitarras distorcidas, imagens no telão e um público em êxtase. Um dos destaques da banda é o vocalista/crooner/guitarrista/percussionista Gabriel Torres Carbajal (como disse nosso fotógrafo Alexandre Aimbiré, um Bez — referência ao crooner dos Happy Mondays).

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Hora de voltar ao palco principal para conferir o Beach Fossils. Uma das bandas mais adoradas pelo público indie, eles voltaram ao Brasil para um show muito bom no festival. Abrindo com “Don’t Fade Away”, seguindo com “Sugar” e “What a Pleasure”, ficou claro ali que era “jogo ganho”, com o público em êxtase com cada novo acorde. Teve até um momento em que a plateia ligou as lanternas dos celulares para “embalar” a sequência de hits da banda. E o final, com a sequência de “Down the Line”, “Crashed Out” e “Daydream”, incendiou o Tokio Marine Hall.

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O encerramento do palco Hall ficou por conta da cantora Sudan Archives. Aqui aconteceu algo muito parecido com o Sharp Pins no dia anterior: um show mais curto que ficou entre a intensidade do Beach Fossils e a expectativa do DIIV. Só assisti ao hit “Selfish Soul” (quase no final da apresentação).

E, para encerrar o festival, restava o show dos americanos do DIIV. E que show foi esse? Simplesmente insano e com intensidade máxima. Esse foi o primeiro show da ZIRP! Tour e mostrou que a banda liderada por Zachary Cole Smith continua em ótima forma. Ah, impossível deixar de comentar sobre a presença de palco do guitarrista Andrew Bailey. Uma mistura de Angus Young (pelos trejeitos e caretas) com Josh Homme (na precisão dos riffs).

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

Foram 18 músicas (teve até cover de Charli XCX) no talo e sem deixar o público respirar (na versão de “Doused”, eu quase infartei). Não teve bis, mas, após o final, um simpático Andrew levou uns setlists para o público que estava na grade, tirou umas selfies e bateu um descontraído papo.

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(Alexandre Aimbiré/Under Floripa)

O saldo dos dois dias de show foi incrível. Organização ótima, local perfeito (destaque para a qualidade de som em ambos os palcos), shows intensos, artistas transitando no meio do público e prestigiando shows de outros artistas. Público bom (no domingo, a casa estava mais lotada que no sábado), que soube aproveitar o que cada artista e palco oferecia. Como disse no texto anterior, o maior festival indie brasileiro. Que venha o Balaclava Fest 2027!

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.