Às 21:04 Viktor Uzhakov surgiu no palco, já ocupado pelos companheiros Andrei Smorgonsky, no baixo, e Igor Starshinov, nos sintetizadores. Ploho abriu o show com o hit Горький опыт (“Amarga Experiência”), considerado um divisor de águas na carreira da banda, antes de assinarem com a Artoffact Records e se tornarem uma das principais referências do revival pós-punk dos anos 2010. O Desgosto Bar estava lotado de um público bem diverso, com gente de várias faixas etárias, mas predominantemente jovens e, claro, todo mundo de preto.
O palco pequeno, a iluminação minimalista e a performance contida do trio traduziram visualmente a carga dramática de suas letras melancólicas, contrastando com a bandeira do Brasil e o bicho de pelúcia em cima do amplificador da guitarra, junto às garrafas de vinho consumidas pelo vocalista. O som estava muito bom, apesar do volume da guitarra estar um pouco acima dos outros instrumentos, ao contrário do baixo, que estava baixo (sem piada) pra uma banda de pós-punk.

Sem muita conversa, eles continuaram o show com Нулевые (“Anos 2000”), do álbum Phantom Feelings, o primeiro pela Artoffact, de 2020, seguida por Гештальт (“Gestalt”), do disco Почва (2022).
Com um set list generoso de 20 músicas, os siberianos que se autoexilaram na Sérvia depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, passearam por todas as suas fases, desde Дом культуры (“Casa da Cultura”), uma das primeiras composições, de 2013, até o single independente Напалм (“Napalm”), de 2026, trazendo faixas com atmosferas densas e synths melódicos, misturadas às tracks mais simples e cruas dos anos 2010.

A apresentação encerrou com Не будем прощаться (“Não Vamos Dizer Adeus”), mostrando que o post-punk continua atual, relevante e, sim, popular. Se quiser saber mais sobre a Ploho, ouça o programa Batbox, da semana passada, produzido pelo coletivo Wave Desterro e pelo selo Festa Obscura, no link abaixo:



