Sudan Archives transforma o Cine Joia em pista de dança no sideshow do Balaclava Fest

Sudan Archives transforma o Cine Joia em pista de dança no sideshow do Balaclava Fest

(Reprodução)

O que se tem para fazer em São Paulo em uma segunda-feira após o Balaclava Fest? Ir a um sideshow do Balaclava Fest.

Esse modelo de show atende a uma demanda que permite ao público a possibilidade de ver shows maiores — em relação ao tempo de duração dos shows de festivais — de artistas iniciantes ou que estão em ascensão. Nesta edição do Balaclava Fest, foram cinco sideshows: Sharp Pins (Bar Alto), Bar Italia e Wishy (Casa Rockambole), High Vis (Bar Alto) e Sudan Archives (Cine Joia). Fui escalado para conferir este último.

No dia em que Sudan Archives se apresentou no festival (domingo), assisti apenas a uma música dela, por saber que iria ver um show completo e em um contexto diferente. Dei uma escutada no último álbum, The BPM, de 2025, e em alguns singles. A sonoridade me pareceu interessante. Estava curioso para ouvir e sentir como seria, ao vivo, o eletro/R&B da cantora americana.

Sudan Archives transforma o Cine Joia em pista de dança no sideshow do Balaclava Fest 2

Cheguei as 19h no bairro Liberdade e como tinha tempo de sobra fui comer um rodízio de comida japonesa. Após 5 temakis de atum, alguns sushis e alguns guiozas era momento de encerrar com um saquê. Estava feita a base para o show. Ao chegar no Cine Joia, as 21h, o público ainda era pequeno (não havia show de abertura).

Com um atraso de 15 minutos Sudan Archives subiu ao palco do Joia para um bom público (muitos chegaram próximo ao horário de início). E, como esperado, fez um show diferente do domingo no Balaclava Fest. Isso já estava claro pelo fato de ter um pedestal no centro do palco (no palco Hall não era possível montar essa estrutura), mas a intensidade foi se revelando a cada música que artista cantava (e dançava, pois esse é um ponto alto do show).

Sudan Archives transforma o Cine Joia em pista de dança no sideshow do Balaclava Fest 4

Nos primeiros acordes de “Dead”, já percebi que o show seria uma mistura de música com dança. Sudan tinha um violino e bases pré-gravadas que transformaram o local em uma pista de dança. É um show, literalmente, solo, pois ela não é acompanhada por nenhum músico. E aí se vê a personalidade da artista. Ela domina o palco, dança, canta, toca violino e alguns instrumentos de percussão. E ainda comanda o público — o que não foi uma tarefa difícil, pois praticamente todos os presentes cantavam e dançavam as músicas do setlist.

E essa interação fez toda a diferença nos 83 minutos de duração do show. Ela desceu do palco, chamou uma pessoa do público para dançar com ela no pedestal, foi — literalmente — para o meio da plateia ao cantar “The BPM” e chamou umas 15 pessoas para o palco. Ao som de “Nosso Sonho”, música de Claudinho & Buchecha, dançou um funk carioca.

Um show diferente do Balaclava Fest (era essa a proposta), com um público animado — muitos presentes dançaram durante a maior parte do show — e uma artista que tem uma performance de palco impressionante. Goste ou não das músicas dela, é impossível não ficar impactado pela intensidade desse show.

Agora é esperar o Balaclava Fest 2027 (e os sideshows que vão rolar).

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.