O Amaravida é o projeto autoral de Lucas Arissa, tradutor, professor de idiomas e formado em Letras, hoje morando em Praia Grande, no litoral paulista. Ele compõe, produz e convida outros músicos para colaborar a cada canção. Pergunta Lá Para Os Seus Heróis, uma balada semi-acústica, entre violão e efeitos, foi a primeira música que escreveu depois de deixar o Hurry Up, em 2019, e abre o caminho para um segundo single, em novembro, e para um EP bilíngue.
“A ideia é simples: compartilhar, com o máximo de sinceridade, recortes da nossa vida que expõem a nossa humanidade. O que há de belo, grotesco, surreal e contraditório nisso tudo”, resume Lucas.
A canção se constrói em torno de uma pergunta repetida verso após verso, como um refrão que volta sempre com uma nova provocação. Um deles diz: “Pergunta lá para os seus heróis se tanto amor e promessa vale para depois da festa, quando as luzes do palco se apagam”.
Lucas conta que a estrutura tem parentesco com um clássico da canção de protesto. “O mote é sempre ‘Pergunta lá para os seus heróis’ e mais alguma provocação na letra. Algo meio ‘Blowin’ in the Wind’, do Bob Dylan, que sempre começa com ‘How many…’.“
O alvo, porém, não são os ídolos, e sim o pedestal onde o público os coloca.
“A ideia não é criticar nossas referências, mas sim criticar nossa idealização delas, o que as desumaniza. Não estaríamos sendo injustos ao colocar em nossos heróis expectativas que eles mesmos nunca conseguirão cumprir por serem simplesmente pessoas como nós?“, questiona.
A reflexão nasceu, ele confessa, de uma inquietação pessoal. “Tive a sorte de conhecer vários dos meus heróis e cheguei à feliz conclusão de que são tão de carne e osso quanto os heróis que tenho na minha família. Isso me ajudou a crescer como ser humano.“
Lucas afirma que as canções do Amaravida possuem sempre dois lados, o humano e o etéreo, buscando trazer uma realidade espiritual.
Em Pergunta Lá Para Os Seus Heróis, entre os ídolos que falham e encantam justamente por serem humanos, surge a figura de Jesus Cristo como o herói que não decepciona, em versos como “se te conhecem por nome, se pagam sangue e morte apenas para te ver são e salvo em casa” e “e levou a minha surra no meu lugar”.
“Agradeço a Ele, Jesus, igualmente humano e divino, que me disse um dia que é vida, verdade e o caminho sem o qual eu não estaria de pé hoje e não teria feito as canções que vocês vão ouvir“, afirma.
É dessa ideia que vem o nome do projeto. “Amaravida é acolher todo momento da vida, bom ou ruim, sentindo tudo e escolhendo deliberadamente a postura do amor, da graça e da paz, por mais duro que isso possa ser. Espero conseguir fazer isso bem um dia.“
Lucas integrou o Hurry Up de 2006 a 2019, tocando um punk que ele mesmo define como emocional e catártico. Depois de sair da banda, passou a tocar apenas na igreja, onde o violão ganhou espaço sobre a guitarra. Ao mesmo tempo, conversava com o irmão sobre artistas como Elliott Smith e Death Cab for Cutie. “Estava com vontade de fazer uma música mais orientada pelo violão e pelo teclado“, lembra.


