Rod Krieger mergulha na psicodelia em live session gravada no estúdio Maquinaria
Frederico Di Lullo
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 22h14
Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 22h17
(Reprodução)
Em formato power trio, registro revisita os dois álbuns do músico, aposta em improvisos e texturas e ainda presta tributo a Syd Barrett.
Menos camadas, mais improviso e uma boa dose de psicodelia. O músico, produtor e compositor Rod Krieger lançou uma live session gravada no estúdio Maquinaria, em Juiz de Fora (MG), transformando músicas de seus dois primeiros discos em versões mais livres e diretas.
O registro foi realizado durante o show de lançamento de A Assembleia Extraordinária (Café8 Music, 2024), em abril do ano passado, e apresenta Krieger em formato de power trio, acompanhado por Paulo Emmery, no baixo e voz, e Marcelo Callado, na bateria.
Sem backing tracks e com um número reduzido de pedais, a proposta foi levar as músicas para um terreno diferente daquele explorado em estúdio. A inspiração vem principalmente das apresentações de bandas dos anos 1960, quando as versões ao vivo frequentemente se afastavam das gravações originais para ganhar improvisos, novas texturas e outros caminhos.
Dos discos para a jam
A session percorre faixas de A Assembleia Extraordinária e do álbum de estreia de Rod, A Elasticidade do Tempo (Café8 Music, 2020).
“Despertar”, presente no primeiro disco, abre a apresentação e já estabelece a dinâmica de jam que acompanha o restante do registro. Na sequência, “Era” e “Todos Gostamos de Você” ampliam o clima de space rock e psicodelia, até a session desembocar em “Arnold Layne”, do Pink Floyd, escolhida como homenagem a Syd Barrett.
A referência não aparece por acaso. Segundo Rod, o período em que Barrett esteve à frente do Pink Floyd teve papel importante em sua formação musical e conversa diretamente com a estética pensada para a apresentação.
“A fase do Syd Barrett é muito forte na minha educação musical. A escolha dessa música condiz muito com a estética do show que eu quis trazer: uma banda psicodélica com improvisos mais baseados em texturas e atmosferas”, explica.
Menos elementos, mais liberdade
A redução para guitarra, baixo e bateria também funciona como uma espécie de experimento com o próprio repertório. Os dois álbuns de Rod são marcados por uma variedade maior de elementos eletrônicos e referências étnicas, algo que precisou ser repensado para funcionar com apenas três músicos no palco.
“A ideia foi reproduzir as músicas de meus dois álbuns em um formato trio, com um número reduzido de pedais de guitarra e sem backing track no fundo”, conta o músico.
A escolha também recupera uma característica presente em alguns dos artistas que influenciaram sua trajetória. Os Mutantes e The Who aparecem entre as referências mais antigas, enquanto nomes como Supergrass e Jack White ajudam a conectar essa abordagem mais livre a trabalhos de outras gerações.
Rod Krieger integra série de sessions do Maquinaria
O registro dá continuidade à série de apresentações gravadas no estúdio Maquinaria, que já recebeu nomes da música independente brasileira como Exclusive Os Cabides, Varanda, Pelados e Nina Maia.
Além de Rod Krieger, Paulo Emmery e Marcelo Callado, a produção contou com Starly Lou Riggs na operação de câmera e direção de fotografia. Leo Fazio também operou câmera e ficou responsável pela edição, colorização e pós-produção.
Entre jams, distorções e atmosferas que remetem diretamente ao rock psicodélico sessentista, a session apresenta outra perspectiva sobre a discografia de Rod Krieger: menos preocupada em reproduzir os discos e mais interessada em descobrir até onde aquelas músicas podem chegar quando colocadas para respirar ao vivo.
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Frederico Di Lullo
Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.