Angine de Poitrine – Vol. II (2026)

Angine de Poitrine – Vol. II (2026)

(Reprodução)

Já escrevi em resenhas anteriores que não sou fã de duos. Para me testar, nosso ditador-chefe me passou a tarefa de resenhar o álbum Vol. II, do hypado duo Angine de Poitrine. Pelo tempo entre o lançamento do álbum e a publicação da resenha, você já percebe que não foi uma tarefa fácil.

Esse duo vem das terras geladas do Canadá e é formado por Khn de Poitrine e Klek de Poitrine. O som deles se encaixa no math rock. No final de fevereiro, começaram a pipocar elogios à sua sonoridade, tanto em blogs quanto em perfis de redes sociais (no Brasil e no exterior). Nomes de peso da crítica musical, como o jornalista André Barcinski, rasgaram elogios à sonoridade e ao estilo da dupla. Com um primeiro álbum lançado em 2024 (Vol. I), que não gerou grande repercussão, eles insistiram e alcançaram os holofotes da internet.

É inegável que ver dois músicos — guitarra e bateria — tocando músicas instrumentais e vestidos de forma dadaísta (máscaras de papel machê com narizes gigantes e roupas estampadas com bolinhas brancas e pretas) chama atenção e desperta curiosidade.

E despertar a curiosidade é, para mim, o grande mérito do duo. É impossível não ficar curioso e ouvir com atenção o som que Vol. II nos apresenta. No início do texto, falei que o som era inspirado no math rock, e posso citar artistas como King Crimson (fase Discipline) e Primus como claras referências nas seis faixas que fazem parte do álbum.

A questão é que, no meio da segunda música, a curiosidade já evaporou, e a sonoridade de dissonância e confronto entre os instrumentos começa a ficar cansativa. Isso, aliado ao peculiar som de guitarra — de dois braços, que opera em um sistema microtonal e faz as vezes de baixo ou de bateria —, pesa na experiência. Isso é legal? Sim, mas com prazo de validade curto. E isso, na minha opinião, vem do tempo de duração das músicas (cinco delas têm mais de seis minutos) e de um modo peculiar das composições.

Desde a abertura com “Fabienk”, passando por “Mata Zyklek”, “Sarniezz”, “Yor Zarad” e “Angor”, tudo soa muito bem feito (sob um aspecto até inovador), mas chato. É música de músico para músico. Tem o seu valor, mas não para todo o hype que tem sido feito. E que fique registrado: gosto de rock instrumental, mas que não seja chato.

No final, os Poitrine são engraçadinhos no vestir e chatinhos no ouvir. Mas pode ser algo que envolva o disco, pois assisti a uma apresentação deles na KEXP (abaixo) e me pareceu menos chato. Em síntese: vale escutar. Quem sabe, para você, leitor, o hype pega e Vol. II se torna uma boa diversão.

Começar
5.0

Vol. II – Angine de Poitrine

Gravadora: Spectacle Bonzai

Duo canadense hypado na internet entrega disco feito por músicos talentosos para ser ouvido por músicos ou para quem quer dormir.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.