Se você vai ler essa resenha e não sabe quem foram os Cramps, o texto foi feito para você. Se você vai ler essa resenha e sabe que foram os Cramps, o texto é para você. Falo isso pois a banda de Lux Interior e Poison Ivy é uma dos grandes expoentes do rock dos ano 80 e 90, mas pode ser que as novas gerações ainda não entendam o quanto eles são influentes para o rock’n’roll. Mas se você der um google vai saber praticamente tudo que aconteceu com os Cramps até o fim da banda.
Então qual o sentido dessa resenha?
Falar da descoberta, nos arquivos da gravadora, de uma master de gravações do início de carreira da banda. Essa descoberta foi feita por dois fãs incondicionais do Cramps: Henry Rollins e Ian McKaye. Em texto publicado por Rollins (usando aqui a tradução do Trabalho Sujo) temos o contexto da importância desse lançamento:
“Em outubro de 1977, os Cramps se aventuraram pelo Ardent Studios em Memphis, Tennessee, com o produtor e seu tradutor extraordinário, Alex Chilton. O grupo planejava gravar a música ‘TV Set’ como lado A de um compacto, com mais uma ou mais faixas. O senhor Chilton explicou que seu método preferido era gravar um monte de músicas e, a partir daí, escolher as melhores delas.
Para a alegria dos fãs dos Cramps em todos os lugares, a banda fez exatamente isso. O primeiro registro dessas sessões foi lançado no ‘insuspeito mundo humano’ em abril de 1978, por seu próprio selo, Vengeance Records. Era um compacto de 7 polegadas com duas músicas: uma versão do clássico de 1963 dos Trashmen, ‘Surfin’ Bird’, levada para muito além de seus limites, forçando-a a transformar-se em uma altíssima nova forma de baixo calão; e o calor frio de ‘The Way I Walk’, de Jack Scott, de 1959, foi levada de volta à Idade da Pedra…
Após uma única audição, tornou-se claro que Os Cramps tinham definitivamente chegado à essência do Rock ‘n’ Roll. Em novembro daquele ano, e novamente das sessões de outubro de 1977, veio outra lição em forma de duas músicas sobre como se faz, ou melhor, como se desfaz, com um dos melhores lados A de todos os tempos: ‘Human Fly’. O lado B foi tornado refém por ‘Domino’, originalmente cantada por Roy Orbison. A versão dos Cramps ostenta uma confiança infinita e é absolutamente eletrizante ao ouvir. No verão de 1979, os jovens degenerados da Inglaterra foram presenteados com um compacto de 12 polegadas dos Cramps chamado Gravest Hits, que apresentava não apenas as quatro faixas mencionadas anteriormente, mas também uma quinta, novamente das sessões de outubro de 1977…
O que teria acontecido com o resto das faixas daqueles dias auspiciosos de outubro de 1977? Em 2026, Larry Hardy, dono e gerente da In The Red Records, desceu de rapel até o vasto e obscuro cofre da coleção de fitas dos Cramps e emergiu horas depois, desorientado e sem fôlego, mas radiante com o que havia trazido de volta: seis fitas de ¼” com faixas mixadas por Lux (Interior) e (Poison) Ivy…
Gravest Gravy tem versões de músicas já lançadas ( TV Set e Jungle Hop) e covers até então inéditos ( Hungry e Problem Child) registrados de forma visceral, como só os Cramps sabiam fazer. Um disco que tem valor histórico e cultural imenso. Corre lá para ouvir esse pérola. Boa diversão.
Gravest Gravy – Cramps
Gravadora: Vengeance Records
Lançamento de uma pérola esquecida do Cramps. Simplesmente obrigatório.
