Melancolia, nostalgia e bons refrões.
Depois de 17 anos de estrada, Maglore parece ter chegado lá: “Fluxo Natural”, oitavo álbum da banda, faz jus ao próprio nome.
É um disco que simplesmente flui.
Guiado pelo folk e pelo rock, o trabalho aposta em violões, guitarras, baixo e bateria para construir um som intimista, melancólico e cheio de bons arranjos.
No centro de tudo estão as composições e a sempre carismática voz de Teago Oliveira.
Em alguns momentos, aparecem ecos de Vanguart, O Terno e Cícero. Mas Maglore já está longe de depender dessas referências. Aliás, depois de “Fluxo Natural”, dá para colocar, sem sombra de dúvidas, a banda na mesa dos grandes nomes do folk-rock brasileiro das últimas duas décadas.
Tudo aqui parece ter sido pensado nos pequenos detalhes. A própria capa remete à identidade visual das antigas fitas cassete da BASF, especialmente aquelas que circularam durante os anos 1980 e 1990. Uma referência simples, mas que caça de forma efetiva com um trabalho interessado em olhar para o tempo passando.
E é justamente sobre isso que fala “Farol”, meu grande destaque do disco. Uma música sobre crescer, aceitar os movimentos da vida e continuar seguindo em frente. Porque, no fim, é isso mesmo. Para mim, a melhor faixa de Fluxo Natural.
Também gostei bastante de “Sonho Real”, outro daqueles momentos em que melodia e melancolia se encontram sem esforço. Essa eu já tinha ouvido como single. Provavelmente seja o hit do disco.
Em suma, “Fluxo Natural” é um álbum Coeso, bonito e maduro, que reforça a ótima fase da Maglore e ajuda a colocar o quarteto de Salvador definitivamente entre os nomes mais interessantes da música independente brasileira. Sem mais!
Fluxo Natural – Maglore
Gravadora: LOCO Records
Rompi excepcionalmente com minha recusa em quantificar arte. Esse álbum é do caralho!
