Formada em Curitiba, a Water Rats construiu sua trajetória dentro da cena punk e garage rock nacional apostando em discos consistentes, guitarras sujas, refrães diretos e uma energia que sempre encontrou seu habitat natural na estrada. Ao longo dos anos, a banda percorreu o Brasil, a Europa e qualquer cidade que tivesse um palco para o quarteto. Agora, em Macrodose, seu quarto álbum, esse DNA permanece intacto, mas ganha uma execução mais consciente e refinada, abrindo espaço para novos horizontes musicais sem perder a essência, especialmente ao flertar com nuances do rock alternativo.
São 14 faixas em menos de 30 minutos e muita, mas muita guitarra. Há momentos de aceleração explosiva, como em “Mush Pit”, “Robert Flag” e “Cortisol Addiction”, mas também existem respiros em que a banda reduz a velocidade, caso de “No Fun (In the World)”, “Wake Up High” e “America Fuck Yeah”. Diferentemente de trabalhos anteriores, esse contraste faz com que Macrodose seja intenso sem cair na monotonia, explorando melhor sua dinâmica ao longo da audição. Por isso, podemos dizer que dá para agradar fãs num leque que se traciona de Motosierra e Sonic Youth, passando nesse meio por Turbonegro, Hellacopters e Radio Birdman. Nada mal, né?
Em suma, é um disco muito interessante que, pelo menos para mim, não representa exatamente uma evolução, mas um aprofundamento da identidade da Water Rats. A banda consegue preservar a sujeira e a visceralidade que sempre marcaram sua sonoridade, sem abrir mão da intensidade que Capilé e sua gangue ajudaram a consolidar no underground brasileiro.
Macrodose – Water Rats
Gravadora: independente
Water Rats está de volta, confira o petardo sonoro que explode após o primeiro play em Macrodose!
