PAPANGU- Celestial (2026)

PAPANGU- Celestial (2026)
(Reprodução)

Em um 2026 recheado de bons lançamentos na cenário independente nacional, acaba de chegar aos nossos ouvidos o novo álbum de uma das melhores bandas brasileiras dessa década. Falo dos paraibanos do Papangu, que estão com seu mais recente trabalho saindo do forno, intitulado Celestial.

O quinteto chamou a atenção em 2021, com seu álbum de estréia, Holoceno. De lá para cá a ascensão foi grande e merecida, com destaque na crítica e aumento do reconhecimento entre o público. Se inicialmente a banda foi vinculada ao metal progressivo (como na faixa São Francisco, presente no álbum de estréia), com o avanço da carreira eles conseguiram expandir os horizontes para incorporar novos elementos em sua sonoridade. Veio o segundo álbum, intitulado Lampião Rei, que mostrou que o rock progressivo, com toda sua complexidade, era o cerne criativo deles. Nesse segundo álbum se formaram as bases para que Celestial fosse concebido. E essas bases, para mim, mesclam influências de King Crimson(fase anos 70), Gentle Giant, O Terço e pitadas da psicodelia nordestina dos anos 70.

E Celestial já mostra ser um álbum prog quando o som de teclado de Mau- Olhado abre o disco e temos a sensação de uma viagem no tempo para os anos 70, com uma ótima referência ao Gentle Giant. A faixa seguinte, Colosso, começa com uma pegada que lembra Alceu Valença e logo surge o belo som dos teclados para viajarmos nessa ótima música. Um ponto que destaco nesse terceiro trabalho do Papangu é que os vocais guturais quase não estão presentes (as faixas Taxidermia e Fechamento do Corpo são as que tem presença desses vocais em trechos). Gostei dessa escolha, pois o trabalho ficou mais redondo e não perdeu a pegada pesada.

A próxima faixa, a instrumental Bode Expiatório me lembrou o álbum Matança do Porco, do Som Imaginário. Na sequência Celeste começa com um piano e logo surge um belo instrumental jazzístico, mantém o ouvinte conectado na viagem da banda. Calado (de olho), que foi o primeiro single de trabalho, tem uma boa presença de elementos da psicodelia nordestina. A faixa seguinte, Afirmação, volta com o progressivo (essa foi a faixa que mais me lembrou King Crimson) e na sequência a faixa instrumental Outro encerra o álbum.

Celestial mostra uma banda que segue em uma crescente criativa(em que o ápice ainda não chegou), sem abrir mão das bases que inspiram sua sonoridade. Desde 2021, o Papangu vem abrindo portas no Brasil e no exterior, deixando de ser uma promessa para se tornar uma das grandes bandas da atualidade. Seja nas turnês internacionais ou nos shows pelo Brasil (inclusive participando de grandes festivais como o Lollapalooza) eles quebram um paradigma, ao fazer um som complexo (a bela mistura metal/prog/jazz/psicodelia) que tem conseguido atingir os mais variados públicos, mostrando que a boa música ainda tem espaço e apelo popular (mesmo que não sirva para vídeos do Tik Tok). Dê o play em Celestial e boa diversão.

9.0

Celestial – Papangu

Gravadora: Deck Discos

Paraibanos mesclam progressivo dos anos 70 com pitadas de jazz e metal, para criar uma audição sonora intensa e cativante.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.