Muitos podem perceber que ” PERFECTH” não é um álbum cheio de testosterona como outros álbuns do Queen of The Stones Age, mas o que pode parecer uma forma de desaceleração, combina muito com o momento que a banda se encontra.
E pelo meu ponto de vista, esse álbum é sem querer um contraponto a “Blackstar” de David Bowie, curiosamente lançado há 10 anos atrás.
É sobre transformar a doença ou mazelas em arte!
Josh Homme, passou por graves problemas de saúde e é inegável que isso mexe com o modo de vida que a pessoa enxerga o mundo e principalmente o seu papel como líder de uma das melhores bandas dos últimos anos.
Josh aqui fala de amor, ” It’s Love”, desacelera e se auto plagia em ” Insignificant Other”, (que possui uma linha melódica assustadoramente parecida com outra canção da própria banda, ” I Sat by The Ocean”) e se reinventa em canções mais líricas e autocontemplativa, como há muito não se via.
Mas o momento Bowie transparece em ” Sunday”, uma faixa que parece ter saído de ” Station To Station”, principalmente se ouvir ” Stay” ( Bowie ) e depois ” Sunday” ( QOTA).
A estrutura sonora das faixas é intrigante e penso se a banda se deu conta.
Existem semelhanças interessantes.
Mas o legado Bowie tem seu papel em um outro ícone não apenas da música, mas também da moda ( Homme desfilou recentemente na Semana de Moda em Paris, no mês passado) ter entrado de cabeça na desconstrução de um legado pesado de faixas pulantes para faixas como ” Easy Street”, onde a reflexão novamente entra em cena.
Não apenas a doença, como conflitos sérios com sua ex-esposa e a paternidade parecem ter deixado emocionalmente vulnerável e ao lado da banda, ter construído um álbum totalmente Anti-QOTA!
Por isso mesmo que pela inesperada construção de algo surpreendente e inesperado, que o novo álbum é simplesmente perfeito de se ouvir e traz uma reflexão:
Desacelerar é preciso!
PERFECTH – QOTA
Gravadora: Matador Records
Se reinventar é preciso. Desacelerar também.
