Confesso que sou completamente cru em relação à música portuguesa. Talvez conheça um pouco mais que a maioria neófita brasileira. Madredeus, Xutos e Pontapés, Carminho, Banda do Mar (banda com 2/3 de brasileiros formada em Lisboa), The Dirty Coal Train… e não muito mais que isso.
Mas sempre a ordem louca de procurar bandas novas e o sempre solícito Spotify estão ali para fazer aquela presa.
Eis que, do nada — ou “do neida” (como diria aquele influencer) — surge Nunca Mates o Mandarim.
Primeiro pensamento: que voz bonita e que fleuma para cantar.
Segundo pensamento: que nome enigmático!
Um trio que tem na sua biografia influências de Capitão Fausto (olhem aí, outra banda portuguesa!) e Eça de Queiroz merece muito a atenção de qualquer um.
Os “gajos”: João Amorim (voz e guitarra), João Campello (bateria) e, não menos importante, um “não João”, Manuel Diniz (guitarra e voz), parecem uma banda saída de um filme — um filme noir. Letras muito bem trabalhadas, uma elegância no estilo de Bryan Ferry, só que com um viés indie e pop, cantando com aquele sotaque ainda pouquíssimo difundido em terras brasilis: o português lá do Porto!
Elegância é o que mais me chama a atenção nas nove faixas de Bola de Bilhar. Um disco elegante, às vezes irônico, às vezes até dialogando com a música brasileira (cabe aqui a você, leitor e futuro ouvinte da banda, descobrir uma canção dentro do disco que remete a letra a um funk carioca, sem perder a elegância e a bela cadência indie-portuguesa).
2026 começou muitíssimo bem!
Bola de Bilhar – Nunca mates o Mandarim
Gravadora: Universal Music
Para quem aprecia belissimas letras, elegância, Brian Ferry e Capitão Fausto!
