A introspectiva canção que abre esse trabalho já nos dá a dica de que o cantor britânico (e integrante do Radiohead) bebeu na fonte do folk e da psicodelia (americana e britânica), principalmente em artistas e bandas como Nick Drake, Jefferson Airplane e Love.
O artista, que se autoproclama poeta e fazendeiro (do tempo em que morou por um ano no Brasil, em uma cidade do interior), parece mesmo tirar da paisagem bucólica a inspiração para canções como “Incarnations” e “Blue Morpho”, faixas claramente psicodélicas, contemplativas e de orquestração ímpar.
É importante ressaltar o trabalho de produção do álbum. Um trabalho coeso e objetivo.
O dedilhado das cordas em “Sweet Spot” é outro presente. Leve, envolvente e lindo.
O disco tem uma virada na quarta faixa. Aí começa a outra “metade” do álbum.
A virada vem em “Teaches”, uma faixa com pegada eletrônica mais fechada, quase dark, na linha de With Animals, de Duke Garwood e Mark Lanegan. Ambiências, efeitos e clima sombrio se desenrolam faixa adentro.
“Solfeggio” é outra canção eletrônica, sem vocais no modo tradicional, um pouco mais lenta, e assim segue o disco, inclusive com a última faixa, de nada curioso título: “Obrigado”.
O nosso poeta, fazendeiro e também compositor está fora do lugar-comum, e isso se traduz em um trabalho de cunho único e especial.
A propósito, a sétima faixa, “Obrigado”, é em inglês e cantada com um ritmo mais cadenciado, flertando com a eletrônica e também com uma sonoridade típica das músicas inglesas dos anos 1990 e 2000, principalmente de bandas que trafegavam nesse limiar entre o folk, o indie e o eletrônico.
As experiências transformam a arte.
Blue Morpho – Ed O'Brien
Gravadora: Trangressive Records Ltd.
Introspectivo, lirico, interiorano e somando tudo isso, contemporaneo e eletrônico. Para ser bom, não precisam explicações.
