E segue a safra de 2026 do rock independente brasileiro com mais e mais lançamentos. Só de termos tantos novos singles, EPs e álbuns já é algo muito positivo, mesmo que algumas bandas ainda precisem ser mais lapidadas para evoluir e ter uma sonoridade melhor em futuros lançamentos. E aqui enquadro o quarteto paulistano Anônimos Anônimos, com seu álbum de estreia, Acabou Sorrire.
Formada em 2020 por Flávio Particelli (vocal e guitarra), Roberto Bezerra (baixo), Ricardo Cifas (bateria) e Henrique Almeida (guitarra e backing vocal), a banda lançou dois EPs (Baixo Astral, 2022, e Xô Cria, 2024) que mesclaram uma série variada de influências. Mas, para seu primeiro álbum, eles resolveram mudar o som, criando uma mistura de indie, emo e pop que tem bons momentos, mas que, no conjunto geral do álbum, soa um pouco inconstante. A produção de Alexandre Capilé é boa (acho que não foi o motivo da inconstância do álbum).
As faixas “Arquipélago” e “Tudo Passa” são os destaques do álbum (para mim). Com letras que narram o cotidiano da sua geração (eles são jovens, o que é muito bom para expressar sentimentos), as duas canções são bem radiofônicas. A segunda é um hit certeiro para rádios e baladas de rock — destaque para os belos e agitados riffs — e marca o ponto alto do álbum. “Timidez”, já lançada como single no início do ano, é outra boa faixa.
O problema é, para mim, que essas boas faixas estão ao lado de outras mais fracas (e, em alguns casos, até irritantes). É o caso de “Esquisito”, faixa de abertura, que oscila entre o legal e o cansativo. Outra que segue pelo mesmo caminho é a faixa-título, “Acabou Sorrire”. Ah, e o título do álbum também não ajuda muito. Pelo que li, “Acabou Sorrire” é uma expressão usada como piada interna pela banda. Poderia ter continuado interna. “No Banco de Trás pra Direção” e “Plmds” encerram o álbum em um clima sonolento.
No geral, esse primeiro lançamento da banda deixa um gosto de “algo falta aqui”. Talvez seja nas composições, nos arranjos ou em ousar mais e fugir de alguns clichês dos estilos que sua sonoridade mescla. Se eles tivessem assumido um som mais “emo atual” (deixando o indie pop de lado), teriam mais coesão nas músicas. Mas é um primeiro disco, e a banda demonstra ter potencial para fazer trabalhos melhores. Vamos aguardar.
Acabou Sorrire – Anónimos Anônimos
Gravadora: Forever Vacation Records
Banda paulistana lança primeiro disco irregular, mas com que mostra potencial para futuros lançamentos.
