É difícil escrever qualquer coisa, mesmo que seja um preâmbulo, quando a coluna anterior vem do nosso bardo maior, Alexandre Aimbiré.
Uma escrita fina, sincera e antenada com o que há de melhor dentro da música independente. E é assim que tem que ser, é assim que segue o nosso jogo: sincero e longe demais das capitais (sim, foi uma citação a Engenheiros do Hawaii) ou, pelo menos, próximo do que nós acreditamos — música boa, pulsante e viva!
Savages – Paranoid/Prayer
Sim, tem cover de “Paranoid”, do Black Sabbath, e uma faixa lindíssima chamada “Prayer”, do quarteto britânico Savages. Uma “não descoberta”, porque eu já tinha ouvido algumas faixas soltas da banda, que toca um rock com elegância e pungência.
A música se transforma nessa reinterpretação do clássico do Black Sabbath. Com uma delicadeza inteiramente destilada por mulheres, é possível reimaginar outras almas para a mesma canção.
Expresso Transatlântico – Nikita Punk
O algoritmo me puxa cada vez mais para a rica música portuguesa. O momento musical é cada vez mais certeiro e universal. “Nikita Punk” flerta mesmo com o carimbo brazuca, apesar do título e da verve surf-lusa.
Sereen – Paralyzed
Confesso que o nosso Spotify foi além ao me apresentar a rapper Sereen, um verdadeiro achado!
Direto da Palestina e vivendo na Austrália, “Paralysed” é uma faixa que emula muito do hip-hop norte-americano, como A Tribe Called Quest, mas possui uma verdade difícil de ignorar.
Depois de escutar “Paralysed”, procure “Hodneh”, de 2025!
Bill Callahan – The Man I’m Supposed to Be
Bill Callahan surgiu para mim no mesmo momento em que descobri Mark Lanegan e Duke Garwood. Quase como uma santíssima trindade: Lanegan se foi, Garwood enveredou por caminhos cada vez mais rebuscados — e nada fáceis, musicalmente falando —, e Callahan se manteve dentro de sua proposta: uma voz firme, canções centradas e reflexivas, e aquela presença vocal que te guia para um pequeno paraíso dentro da sua própria mente.
Já saíram novos singles este ano, mas este aqui é simplesmente excelente.



