Mais um EP que passou batido pela audição do ano passado, Ponta Vertigem é uma daquelas dicas muito bem-vindas.
A primeira faixa, “Quero Ver Onde Vai Dar”, tem vários andamentos, um quê de psicodelia, Clube da Esquina e indie rock, só que há um problema que vai acometendo o EP: em alguns momentos, a voz do vocalista fica meio escondida.
No decorrer das faixas, a voz parece voltar ao normal dentro da concepção sonora; um tom acima, e a questão desapareceria. Mas é algo imperceptível, quase passando batido.
Ou talvez seja o fato de que, dentro do cenário recente, as vozes são, em alguns casos, mais contidas, mais suaves, e os vocalistas são menos afeitos a malabarismos.
Embora na descrição do Spotify esteja a palavra “projeto”, esse grupo merece muita atenção. É outra pepita de ouro que, tirando o volume do vocal, apresenta músicas desafiadoras e um complexo trocar de timbres e notas nas cinco belas faixas.
“Falta de Sorte” atira mais no indie rock e no neo-psicodelismo, mas apresenta um ar mais descontraído, quase cru, no frigir dos ovos.
Com muito mais acertos do que erros, é um EP com a cara da nova geração de bandas. Se é para correr riscos, que seja!
Ponta Vertigem – Barbudos Malaios
Gravadora: Independente
Um encontro entre musicistas de primeira, em que ideias são enfileiradas de maneira inteligente!
