BILL CALLAHAN –  MY DAYS OF 58 (2026)

BILL CALLAHAN –  MY DAYS OF 58 (2026)

(Reprodução)

Em meio ao caos de tudo ao mesmo tempo agora, as vezes (muitas) é necessário parar e contemplar um álbum conforme ele foi concebido.

Nada de frames de 30 segundos, nada de tik tok, mas ouvir um álbum inteiro.

E o leitor deve estar se perguntando: _. Mas vocês não escutam o álbum inteiro para resenhar?

Sim, do primeiro segundo da primeira faixa ao último da derradeira canção que fecha o disco.

Dito isso, o quão importante é parar um tempo para escutar e se deliciar com “My Days of 58” do norte americano Bill Callahan.

Callahan é um daqueles artistas que não estão preocupados com os números das redes sociais, a preocupação dele é a música.

Com um arquétipo de bardo, de crooner, ou mesmo um cantor à moda antiga, o trabalho vocal no seu álbum cheio de número 11 desde que começou a assinar com seu próprio nome (já que como Smog foram outros 11 álbuns entre 1990 e 2005) é um daqueles trabalhos de ourives.

Ao construir uma joia, o disco já vem com dois petardos: “ “Why Do Men Sing”, que vai entrando no ouvido, de maneira delicada, com o som do violão e a voz de Callahan, para ganhar ambiência e tomar conta do recinto, de maneira grandiosa.

Já em “The Man I´m Supposed To Be” (lançada como single no final de 2025) é um unicórnio.

Uma música que mesmo sendo em inglês, traz as incertezas da vida avançando, o tempo escorrendo pelos dedos e quando você se dá conta, chega a quase sessenta anos (porque será que o título se chama Meus Dias de 58?

E esse unicórnio, te encara como um espelho, fazendo você se questionar da finita existência do homem.

Em todas as canções (12 ao todo), há o desnudar da alma, e a sensação de o artista se tornar frágil, para atingir o cerne da questão de sua obra, o limite cronológico em canções pungentes.

Desde a passagem de Mark Lanegan, há 4 anos atrás, poucas vezes vi um artista se entregar tão inteiramente a sua arte como nesse trabalho.

Doce, terno e com uma honestidade brutal!

10

MY DAYS OF 58 – BILL CALLAHAN

Gravadora: Drag City

A finitude de um artista se mede também em como o mesmo consegue passar a sua mensagem. Callahan é um mestre!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.