E lá vamos nós de novo para mais um show do Dead Fish na Ilha da Magia. Sábado, 21h. Saímos de um churrasco familiar em direção ao Centro, onde a apresentação estava marcada para as 22h.
Sinceramente, perdi a conta de quantos shows já assisti da trupe oriunda de Vitória (ES) que, hoje, conta apenas com o catedrático Rodrigo (vocal) da formação capixaba original.
Curiosidades à parte, chegamos ao Desgosto bem em cima do laço. A casa já estava abarrotada e naquele clima típico de show de hardcore: o silêncio que precede o caos.

Vale destacar que é o segundo show seguido da banda nesse formato que parece funcionar perfeitamente para todos os envolvidos. Explico: duas datas consecutivas no Desgosto, geralmente sexta e sábado, ambas sold out. Para o público, é excelente ter mais de uma opção de dia; nem sempre dá para colar na sexta ou no sábado. Para a banda, são dois shows em uma mesma praça. Para a casa, dois dias lotados. Todo mundo ganha.
Outro ponto relevante: trata-se da turnê de 25 anos de “Afasia”, um dos marcos do hardcore nacional, lançado originalmente em 2001. A tour começou em janeiro, no Circo Voador (RJ), revisitando o álbum na íntegra, e já passou por cidades como Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, Vila Velha e, agora, Florianópolis.
Por volta das 22h15, ao som de “Sangue Latino”, do Secos & Molhados, surgiu no palco do Desgosto a banda que atravessou nossa juventude. E, sem cerimônia, mandou lenha com “Afasia”, faixa que abre o disco homônimo.
É difícil descrever o que aconteceu depois disso. Um mar de gente pulando, berrando, fazendo mosh e, acima de tudo, se divertindo. A faixa etária predominante era 30+, então era um caos… levemente mais administrável.
O setlist, como prometido, trouxe as 14 faixas do álbum na ordem. Talvez tenha sido a primeira vez que consegui ouvir ao vivo músicas como “Tango” e “Iceberg”. Um momento curioso, para dizer o mínimo, foi antes de “Noite”, quando Rodrigo anunciou que tocaria “a pior música que a banda já escreveu”. Ironia fina. Ou não.
Em outro momento, o vocalista refletiu sobre a sensação de cantar músicas compostas há mais de 25 anos. Na época, tudo fazia sentido dentro daquele contexto. Hoje, talvez o significado seja outro. A fala encontrou eco do lado de cá do palco. Seja pela nostalgia ou simplesmente porque seguimos gostando das mesmas coisas, era evidente que a plateia estava entregue como poucas vezes se vê.
Encerrada a primeira parte (o álbum na íntegra), veio a segunda metade, provavelmente a mais celebrada pela maioria. Não necessariamente nessa ordem, mas rolou “A Urgência”, “Bem-vindo ao Clube”, “Senhor, Seu Troco”, “Você”, “Venceremos” e “Sonho Médio”. E ainda havia fôlego para mais: “Queda Livre”, “Zero e Um” e “Dentes Amarelos”. Destaque para “Tão Iguais” onde o Rodrigo deu mosh na galera enquanto um membro da plateia falava algo pouco audível sobre Florianópolis e Santa Catarina. Absolute cinema!

Pouco antes das 23h30, a banda deixou o palco. Rodrigo ficou por ali, trocando ideia e fazendo fotos com a galera.
Foi um show intenso, autárquico e, nos tempos atuais, quase insolente.
O Frederico de 2003 está feliz. E um tanto surpreso também: 23 anos depois de ter baixado “Afasia” no KaZaA, ainda faz todo sentido ouvir essa música ao vivo.
Vida longa ao Dead Fish.



