Lançado em janeiro e disponível em todas as plataformas digitais, Saudade é o terceiro álbum de estúdio da Marinas Found, banda de Pelotas que que parte do hardcore, mas flerta com punk, emo, rock alternativo e melodias mais pop.
Vou abrir um parêntese quase confessional: ao ouvir Saudade, tive a sensação de estar escutando uma banda de 20 anos atrás. Se fosse montada uma pasta com músicas do Cueio Limão, Vinte!, Dibob, Darvin e Marinas Found, poderia passar desapercebida. E isso pode soar como crítica ou elogio. Para alguns, pode parecer atraso estético. Para mim, é saudosismo bem resolvido.
Musicalmente, o peso dialoga com refrões acessíveis, equilibrando agressividade e vulnerabilidade emocional.
No âmbito das letras, elas orbitam para os problemas da faixa dos 20 e poucos até os 30 e tantos anos: rotina que pesa, amigos que se afastam, cidades que apertam e a tentativa constante de não perder a própria essência no meio do caminho.
Como destaque, cito “Rito”, “Saudade” e “Cidades Vizinhas”, esta última com a participação do Rodrigo Lima, do Dead Fish.
No conjunto da obra, “Saudade” é honesto e direto, nesta ordem. Afinal, procede como um retrato de “jovens adultos” tentando sobreviver às próprias expectativas, com guitarras altas e coração de hardcore.
Saudade (2026) – Marinas Found
Gravadora: Independente
Saudade é o disco para quem sente falta de 2004, mas encara 2026 de frente.
