MAQUINA. transforma Mamãe Bar em rave industrial em show intenso em São Paulo

MAQUINA. transforma Mamãe Bar em rave industrial em show intenso em São Paulo

(Reprodução)

Trio português mistura industrial, noise, techno e psicodelia em apresentação catártica no Mamãe Bar, na Barra Funda.

Para quem acompanha o site/Instagram desde o retorno, talvez lembre que, na minha lista de melhores de 2024, estava lá o álbum Prata, da banda portuguesa MAQUINA..

Por isso, foi uma surpresa descobrir que a primeira edição do ano do projeto Circuito Nova Música teria o trio como destaque. Estive presente no show realizado no Cine Cortina, no dia 5 de março, que foi muito bom (com destaque especial para Exclusive Os Cabides, que fez um show daqueles de empolgar o público — mas isso é papo para outra hora). Ainda assim, decidi fazer a cobertura do segundo show deles em São Paulo, por refletir melhor o perfil underground da banda.

Na quinta-feira, 12 de março, no bairro da Barra Funda, segui até o Mamãe Bar para assistir à apresentação. Esse segundo show não estava previsto inicialmente e provavelmente foi agendado após a repercussão do primeiro, realizado dentro do Circuito Nova Música.

O Mamãe Bar é um bar — sem chegar a ser exatamente um “pé-sujo” — com um pequeno espaço para shows nos fundos. A capacidade gira em torno de 100 a 120 pessoas, com boa acústica e um palco compacto, perfeito para apresentações intensas.

E foi exatamente isso que aconteceu.

O trio formado por João Cavalheiro (guitarra), José Rêgo (baixo) e o brasileiro Halison Peres (bateria e vocal) entregou um show pesado, intenso e extremamente dançante. Em pouco tempo se criou uma verdadeira catarse entre banda e público, típica daqueles encontros entre artistas e plateia que compartilham o mesmo espírito underground.

Ao vivo, as músicas de seus dois álbuns — Dirty Tracks for Clubbing e Prata — ganham ainda mais peso e intensidade do que nas versões de estúdio (que já são ótimas). A parede de som mistura industrial, noise, techno e psicodelia, somada à voz distorcida de Halison, criando uma sonoridade incrivelmente pesada e hipnótica.

Destaque para os pedais de guitarra de João — em vários momentos parece que ele vai se “desmanchar” enquanto toca e manipula os efeitos — e para o baixo poderoso de José, que muitas vezes soa como uma segunda guitarra.

Se no Circuito Nova Música o set teve cerca de uma hora, no Mamãe Bar a banda se estendeu por quase uma hora e meia. Músicas como “Desterro”, “Body Control”, “Denial”, “.” e “:.” ajudaram a criar um clima de rave com atmosfera hardcore.

O resultado foi um show intenso, alto (saí com os tímpanos quase estourados) e incrivelmente divertido. Ao vivo, o MAQUINA. faz jus ao nome: é uma verdadeira máquina de som.

Que voltem logo ao Brasil — de preferência já trazendo músicas do novo álbum que deve ser lançado em breve.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.